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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Exercícios amenizam a atrofia muscular



Apesar de ser uma condição inevitável, como atestam os especialistas, a perda da massa muscular pode ser prevenida, e até cessada, se forem observados alguns cuidados. Praticar uma atividade física regularmente, com uma frequência mínima de três a quatro vezes por semana é fundamental. Os exercícios de resistência são os mais recomendados: musculação, caminhadas, natação, hidroginástica, e até mesmo atividades de dança e jogos coletivos.
Mas entre as atividades citadas acima, o fisiologista Márcio Mousinho destaca a musculação como a melhor para combater a sarcopenia. “Essa modalidade é cientificamente comprovada a melhor, para a prevenção, tratamento e reversão do quadro da perda da massa muscular, força e fraqueza músculo-esquelética decorrente no envelhecimento.”

Os exercícios mais recomendados, segundo ele, são os que envolvem os membros inferiores, pois deles depende a locomoção do idoso para a realização das tarefas cotidianas. Mousinho lembra, porém, que antes de iniciar a musculação, é preciso fazer uma avaliação física e funcional com um Educador Físico, especialista da área, para que identificar as possíveis limitações e doenças já existentes. “Estas informações preliminares norteiam uma prescrição de exercícios adequados, de acordo com a capacidade atual”, diz.

O professor de Educação Física e especialista em Ciências do Esporte da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Raimundo Nonato Nunes, também afirma que a perda muscular pode ser neutralizada desde que a musculatura seja devidamente trabalhada.

Raimundo, porém, demonstra certa resistência com caminhadas no processo de contenção da sarcopenia. Para ele, essa atividade não favorece a perda de gordura mas não reforça os músculos. “Temos que dar ganho de massa muscular para que o idoso possa fazer suas atividades mais simples, como pentear os cabelos, sentar-se e levantar-se do vaso sanitário, por exemplo.”

Motivado pelas dificuldades impostas pela obesidade a um colega, o professor de Educação Física Raimundo Nonato Nunes desenvolveu uma metologia de exercícios físicos realizados na água que promovesse a queima de calorias, a perda de gordura e o aumento da massa muscular não apenas para pessoas de idade mais avançada, mas também doentes crônicos e obesos.

A técnica, batizada de “Caminhágua”, consiste em sessões de caminhadas, com até uma hora de duração, no máximo, executadas dentro de uma piscina. Com a adaptação e evolução dos alunos, o grau de dificuldade dos exercícios vai aumentando.

Segundo o professor, a técnica é baseada em três pressupostos básicos: de Arquimedes, sobre a modificação do peso na água, que é reduzido. “Dessa forma, os exercícios não sobrecarregam os membros inferiores, pois a água reduz em até 20% o peso do corpo.”; de Newton, sobre a dificuldade de vencer a inércia da água. “Com isso, a massa muscular trabalha mais. É uma carga que é empurrada e não transportada como na musculação.”; e o de Carnot, que trabalha a temperatura. “A perda de calor favorece o emagrecimento, pois quanto mais fria a água, mais calorias são queimadas. Essa diferença entre a temperatura da água e do corpo faz acelerar o metabolismo.”

Segundo Raimundo Nonato, os exercícios físicos praticados na água geram uma perda calórica cinco vezes maior do que os praticados “a seco”. “Tem gente que perde até três quilos por semana.” O projeto “Caminh’água” é aberto à população e são realizados diariamente em piscina do Campus da UFRN, das 17h às 20h. Os interessados devem procurar o professor Raimundo Nonato Nunes no Departamento de Educação Física. As atividades são realizadas há um ano e quatro meses.
O atual grupo de alunos tem pessoas com até 80 anos de idade, mas não é restrito somente à idosos. Há alunos de idades variadas. Entre eles, hipertensos diabéticos, portadores de Parkinson e problemas renais, além de gente com taxas alteradas. Os benefícios são muitos, de acordo com Nunes: melhora da qualidade do sono, alta queima calórica, redução de todas as taxas e melhora da hipertensão. “Estamos tendo uma resposta fantástica”, comemora o professor.

São mais de 100 alunos sob a orientação de Raimundo Nonato, durante cinco dias da semana. Não há horário estipulado para as atividades, ficando a cargo de cada um programar suas aulas no intervalo de horário estipulado.

“A libertadora”

O professor Raimundo Nonato se diz muito satisfeito em proporcionar melhor qualidade de vida às pessoas e ver a satisfação no rosto delas. Um dos frutos desse afinco é o projeto de uma cadeira para atividades físicas, batizada de “A Libertadora”. Feita em madeira, ela proporciona até 13 combinações diferentes de exercícios, segundo o seu criador, que agora busca patentear o protótipo.

A cadeira tem uma base para sentar-se maior do que as tradicionais, um encosto para a cabeça/pescoço e ainda pesos feitos de garrafa pet para trabalhar os membros inferiores e superiores, abdome e coluna vertebral. A intensidade da carga é de acordo com o material colocado no interior das pets (areia, chumbo, água).

A motivação para a criação de “A Libertadora”, como conta o seu idealizador, foi a condição do pai de um amigo seu que, mesmo precisando e sob recomendação, se recusava a frequentar fisioterapia. “É como ter uma academia para as pessoas que não gostam de sair de casa.”

Mobilidade física e fatores de risco e proteção à saúde

Dados apontados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), em 2008. Números relativos à região Nordeste.

— Costumavam ir a pé ou de bicicleta de casa para o trabalho:

55 a 59 anos – 44,1%
60 a 64 anos – 44,0%
65 anos ou mais – 44,7%

— Praticaram exercício físico ou esportes nos últimos três meses:
32,5% homens
16,9% mulheres

55 a 59 anos – 16,4%
60 a 64 anos – 16,6%
65 anos ou mais – 11,7%

— Pessoas ativas no lazer:
12,5% homens
7,0% mulheres

55 a 64 anos – 6,7%
65 anos ou mais – 4,8%

— Assistiram televisão 30 dias antes de participar da pesquisa:
50 a 59 anos – 90,9%
60 anos ou mais – 85,1%

— Usaram o computador, fora do trabalho, 30 dias antes da realização da pesquisa:
50 a 59 anos – 9,0%
60 anos ou mais – 3,0%

— Foram vítimas de violência, nos 12 meses antes da realização da pesquisa:
60 anos ou mais - 1,4%
— Foram vítimas de violência, nos 12 meses antes da realização da pesquisa, o que impossibilitou a realização de atividades habituais:
Deixaram de realizar – 30,5%
Não deixaram – 69,5%

— Foram vítimas de violência, nos 12 meses antes da realização da pesquisa e procuraram serviço de saúde:
Procuraram – 52,6%
Não procuraram – 47,4%

— Envolveram-se em algum acidente de trânsito nos 12 meses antes da realização da pesquisa:
55 a 64 anos – 1,2%
65 anos ou mais – 0,8%

— Fumaram algum produto variado do tabaco:
Cigarro – 16,0%
Industrializado – 11,9%
De palha ou enrolado à mão – 7,0%

Fonte:
- Portal da Educação Física;
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

sábado, 17 de abril de 2010

Benefícios para todos



Orientada, a prática de exercícios físicos pode ajudar no tratamento de portadores de doenças crônicas, aumentando a qualidade de vida

Portadores de doenças crônicas muitas vezes temem que a prática de exercícios físicos possa agravar os males que sofrem. Programas individualizados para esses pacientes, porém, crescem como alternativas para uma vida mais saudável.

Os benefícios da prática de atividades físicas são indiscutíveis. O hábito de fazer exercícios, seja ao ar livre ou em academias, é defendido por cientistas e recomendado por médicos como um dos melhores caminhos para uma vida saudável. Quem sofre de doenças crônicas, porém, costuma ter dúvidas sobre se pode ou não se exercitar. Diabéticos, hipertensos, asmáticos ou portadores de males degenerativos como Alzheimer e Parkinson nem sempre sabem que mexer o corpo pode ser parte do tratamento da patologia, desde que os exercícios sejam personalizados e voltados para as necessidades e limitações de cada um.

Tanto médicos quanto os profissionais dedicados ao atendimento dessas pessoas não têm dúvidas: a atividade física não é apenas benéfica para manter o corpo em forma, ela melhora a resistência e o bem-estar daqueles que se tornaram reféns de doenças sem cura, reduzindo a chance de complicações e aumentando a qualidade de vida dos pacientes. O cardiologista José Roberto Barreto explica que, dependendo do problema, as restrições existem, mas jamais devem impedir a prática. Para os hipertensos, por exemplo, atividades com muito peso ou carga não são indicadas.

De maneira geral, os exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida e natação, são mais recomendados. Para os pacientes idosos, é importante também a musculação.

Ela impede a atrofia muscular. A prática deve ser encarada como parte do tratamento. Trinta minutos de atividades, três vezes por semana, trazem benefícios importantíssimos – garante o médico.


O cardiologista considera que a prática esportiva é fundamental para controlar o estresse, fator comum em pacientes crônicos.

– Em muitos casos, conseguimos até suspender a prescrição de medicamentos como ansiolíticos e tranquilizantes, além de reduzir as drogas que controlam a doença em si – observa Barreto.

O endocrinologista Marco Antônio Vivolo afirma que a prática de atividade física também é uma aliada no controle do diabetes tipo 2, a quarta maior causa de mortes no mundo – representa cerca de 3,8 milhões de óbitos por ano. Com uma dieta balanceada, os exercícios auxiliam na redução e no controle da glicemia (concentração de glicose no sangue). Eles aceleram o metabolismo, queimam calorias e controlam o peso, além de melhorarem a circulação sanguínea.


Fonte: Caderno Vida - ZH - 17.04.10

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Mal de Parkinson


Parkinson atinge 1 a cada 100 idosos; tentar manter atividade é fundamental


O mal de Parkinson é degenerativo, progressivo e irreversível. Não tem cura e atinge uma em cada 100 pessoas acima de 60 anos, segundo a Associação Brasil Parkinson (ABP). E apesar das barreiras impostas pela doença, cujo Dia Mundial é 11 de abril, uma das principais orientações dos especialistas é estimular os portadores a levar uma vida normal, dentro de suas limitações. Não é fácil, mas não faltam exemplos de pessoas que apesar de diagnosticadas há anos, mantém um ritmo por vezes difícil para quem não tem nada.


O ator Paulo José, 73 anos, e há 17 com o diagnóstico, é um dos principais exemplos dessa batalha contra a doença. O trabalho é um dos "remédios" que usa contra a doença, além de seguir as orientações médicas. Está filmando o longa O Palhaço, dirigido por Selton Mello, integra o elenco de "Quincas Berro d´Água", que estreia nas telonas em maio. Já declarou que a doença o obrigaria a ter uma vida mais calma, mas simplesmente não consegue.


O também ator Michael J.Fox, protagonista da trilogia de filmes "De Volta para o Futuro", dos anos 1980, luta contra o problema desde 1991. Interrompeu sua carreira por um período, teve complicações com alcoolismo e escreveu um livro chamado "Um Otimista Incorrigível". No ano passado, voltou à ativa na série de TV "Rescue Me", interpretando um paraplégico e recebeu um prêmio Emmy pela atuação. Também criou uma fundação para pesquisa da doença. Joga hóquei e golfe.


Depressão


Atividades bastante complicadas para um problema que causa tremores, lentidão de movimentos, rigidez muscular e desequilíbrio, além de alterações na fala e escrita. Por conta de tais dificuldades, muitos portadores se tornam reclusos, o que favorece o aparecimento também da depressão.


Segundo o neurologista Roberto Godoy, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, mais de 60% dos idosos que sofrem da doença são vítimas da neurose. "Nossa equipe atende cerca de 40 pacientes por mês e mais da metade deles apresenta algum grau de depressão. O tratamento não deve ser voltado apenas ao controle do Parkinson. Quem convive com o doente deve ficar atento também aos sintomas de depressão."


Trata-se de uma doença neurológica e foi descrita pela primeira vez pelo médico inglês James Parkinson, em 1817. A grande maioria dos pacientes tem os primeiros sintomas a partir dos 55 a 60 anos, embora pessoas mais jovens ou mais idosas também possam desenvolvê-los, como Michael J.Fox, que tinha 30 anos quando percebeu um tremor estranho num dos dedos. Mas nem sempre esse sintoma é o que aparece. O aposentado Oswaldo Antônio, de 86 anos, por exemplo, movimenta-se devagar e costumava cair com facilidade, sem apresentar os característicos tremores. Descobriu a enfermidade há seis anos após passar por uma série de médicos. Hoje, toma remédios que ajudam a diminuir os problemas. Ainda faz aulas de hidroginástica e de dança. "Os exercícios de dança são dirigidos à doença. Os movimentos são feitos enquanto estou sentado porque a dificuldade de fazer em pé é manter o equilíbrio."


Parkinsonismo


A doença de Parkinson é a principal forma de parkinsonismo, representando cerca de 70% dos casos, segundo a ABP. Surge devido à falta ou diminuição da dopamina. Esse quadro acontece pela degeneração das células (situadas na região do cérebro chamada substância negra) que a produzem. As outras formas de parkinsonismo têm causas diferenciadas, tais como infecções e traumas. O ex-pugilista americano Muhammad Ali desenvolveu o chamado parkinsonismo do pugilista, em consequência de traumas cranianos. Enquanto a doença de Parkinson é progressiva e não tem cura, determinados parkinsonismos (como o adquirido por meio de medicamentos, por exemplo) podem ser eliminados.


O problema é progressivo. O que determina a velocidade da piora provavelmente são fatores ligados ao metabolismo e à genética. "Mas não se conhece de forma definitiva os fatores que levam alguns pacientes a piorarem rapidamente com todo o tratamento instituído", disse Roberto Godoy.


Tratamento


O diagnóstico é feito pela exclusão da possibilidade de outras doenças. O médico chega a ele ao aliar ainda a história clínica do paciente ao exame neurológico. O tratamento logo no início permite uma vida ativa e, muitas vezes, retarda muito a evolução do problema. Vale apostar também em sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia. A falta de cuidados, no entanto, gera uma piora progressiva, a ponto de tornar o doente completamente incapacitado, como informou Godoy.


A medicação tem como meta melhorar os sintomas. "O tratamento cirúrgico é reservado a alguns poucos pacientes em que a medicação não mais surte efeito. Entre as técnicas se inclui a estimulação de estruturas profundas no cérebro, como o marcapasso, com resultados satisfatórios quando indicado corretamente", afirmou Godoy.


Fonte: Terra – Vida e Saúde - 09.04.10