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sexta-feira, 11 de março de 2011

Exercício físico esporádico pode ser um gatilho para doenças cardíacas


Atletas de fim de semana foram o foco do Programa Bem Estar desta terça-feira (08/03). Cardiologistas Roberto Kalil e Maria Janieire fizeram recomendações.

Exercício físico esporádico, intenso e no calor pode ser um gatilho para que se manifestem doenças cardiovasculares silenciosas. Para falar sobre os atletas de fim de semana, estiveram no Bem Estar desta terça-feira (8) os cardiologistas Roberto Kalil, que também é consultor do programa, e Maria Janieire Alves.

Quando sobra um tempo livre, seja em um fim de semana, seja em um feriado de carnaval, o que não falta são pessoas correndo para compensar a falta de atividades em dias normais. O que acontece ao coração delas foi explicado pelos especialistas no estúdio.

Antes de iniciar um exercício, o ideal é que indivíduos acima de 35 anos passem pelo menos por uma avaliação e um eletrocardiograma, mesmo que não sintam nada. É importante investigar, por exemplo, o histórico familiar. Alguém cujo pai enfartou aos 50 anos, tem sobrepeso, diabetes ou hipertensão deve ficar atento.

E estar dentro do peso não garante tranquilidade: pessoas magras também podem ter problemas. Por isso, a recomendação é fazer o teste ergométrico, que dá resultado falso negativo em apenas 2% dos casos. E o exame clínico deve ser realizado para complementá-lo.

A frequência cardíaca máxima é resultado do número 220 subtraído pela idade do paciente. Na atividade física, o correto é que se atinja até 85% desse número. Mas, muitas vezes, quem exagera sem ter preparo para isso chega à frequência máxima mesmo com um exercício leve.

No Parque do Ibirapuera, em São Paulo, o repórter Walace Lara foi conferir com que regularidade as pessoas estão cuidando da saúde. Para medir a frequência cardíaca dos atletas de fim de semana, participou a cardiologista Patrícia Oliveira, do Instituto do Coração (Incor). O aparelho mostrou quantos batimentos por minuto são registrados durante a atividade.

Em Manaus, um teste analisou pessoas que se exercitam pelo menos três vezes por semana com o aeroboi, uma mistura de aeróbica com o boi-bumbá, dança típica do Amazonas, que exige muita musculação para possibilitar movimentos sincronizados.

Doenças cardíacas
As doenças cardíacas são as principais responsáveis pelas mortes súbitas na prática esportiva. Para evitar o pior, o ideal é fazer um check-up regularmente. Aqueles que já começaram a praticar exercícios devem prestar atenção a qualquer dor ou desconforto que aparecer durante a atividade, principalmente na região do tórax, pois esses sintomas podem indicar problemas cardíacos.

Segundo o chefe da seção de Cardiologia do Esporte do Instituto Dante Pazzanese, Nabil Ghorayeb, estima-se que 90% dos casos de morte súbita no esporte entre pessoas com mais de 35 anos em todo o mundo sejam causados por aterosclerose (depósito de gordura que entope as artérias coronarianas). A doença, que geralmente não apresenta sintomas, pode levar ao infarto agudo do miocárdio.

Entre os jovens, a cardiomiopatia hipertrófica (crescimento do músculo cardíaco causado por uma anomalia genética), muitas vezes também assintomática, é responsável por 56% das mortes.

A incidência de óbitos na atividade física, no entanto, é muito pequena, o que comprova que os exercícios, se bem orientados e realizados de acordo com os limites de cada um, trazem mais resultados bons do que ruins.

Um estudo americano divulgado em 2000 verificou uma taxa de mortalidade extremamente baixa: uma morte por 2,6 milhões de horas de atividades em academias. A vítimas eram principalmente homens de meia-idade, com histórico de doenças cardíacas ou fatores de risco (como obesidade e fumo), e praticantes de exercícios esporádicos.

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2011/03/exercicio-fisico-esporadico-pode-ser-um-gatilho-para-doencas-cardiacas.html

sábado, 17 de abril de 2010

Benefícios para todos



Orientada, a prática de exercícios físicos pode ajudar no tratamento de portadores de doenças crônicas, aumentando a qualidade de vida

Portadores de doenças crônicas muitas vezes temem que a prática de exercícios físicos possa agravar os males que sofrem. Programas individualizados para esses pacientes, porém, crescem como alternativas para uma vida mais saudável.

Os benefícios da prática de atividades físicas são indiscutíveis. O hábito de fazer exercícios, seja ao ar livre ou em academias, é defendido por cientistas e recomendado por médicos como um dos melhores caminhos para uma vida saudável. Quem sofre de doenças crônicas, porém, costuma ter dúvidas sobre se pode ou não se exercitar. Diabéticos, hipertensos, asmáticos ou portadores de males degenerativos como Alzheimer e Parkinson nem sempre sabem que mexer o corpo pode ser parte do tratamento da patologia, desde que os exercícios sejam personalizados e voltados para as necessidades e limitações de cada um.

Tanto médicos quanto os profissionais dedicados ao atendimento dessas pessoas não têm dúvidas: a atividade física não é apenas benéfica para manter o corpo em forma, ela melhora a resistência e o bem-estar daqueles que se tornaram reféns de doenças sem cura, reduzindo a chance de complicações e aumentando a qualidade de vida dos pacientes. O cardiologista José Roberto Barreto explica que, dependendo do problema, as restrições existem, mas jamais devem impedir a prática. Para os hipertensos, por exemplo, atividades com muito peso ou carga não são indicadas.

De maneira geral, os exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida e natação, são mais recomendados. Para os pacientes idosos, é importante também a musculação.

Ela impede a atrofia muscular. A prática deve ser encarada como parte do tratamento. Trinta minutos de atividades, três vezes por semana, trazem benefícios importantíssimos – garante o médico.


O cardiologista considera que a prática esportiva é fundamental para controlar o estresse, fator comum em pacientes crônicos.

– Em muitos casos, conseguimos até suspender a prescrição de medicamentos como ansiolíticos e tranquilizantes, além de reduzir as drogas que controlam a doença em si – observa Barreto.

O endocrinologista Marco Antônio Vivolo afirma que a prática de atividade física também é uma aliada no controle do diabetes tipo 2, a quarta maior causa de mortes no mundo – representa cerca de 3,8 milhões de óbitos por ano. Com uma dieta balanceada, os exercícios auxiliam na redução e no controle da glicemia (concentração de glicose no sangue). Eles aceleram o metabolismo, queimam calorias e controlam o peso, além de melhorarem a circulação sanguínea.


Fonte: Caderno Vida - ZH - 17.04.10

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Avaliação Médica


Atualmente muito tem se falado da prática correta de exercícios físicos e como eles devem ser feitos de forma segura e sem riscos à saúde. O acompanhamento médico é considerado essencial para qualquer prática esportiva, sendo ela amadora ou profissional. Para as atividades físicas em academias de ginástica também são necessárias avaliações, já que cada indivíduo possui diferentes metabolismos.


O que muitos não sabem é que até mesmo uma atividade física mais intensa, praticada por um não atleta, deve ser indicada por uma equipe médica que, ao traçar o perfil metabólico do iniciante, realizará exames de cunho clínico e esportivo para indicar a intensidade, periodicidade e tempo de cada exercício.


Com o início do ano, muitas pessoas se comprometem em realizar atividades físicas. Porém para perder peso e entrar em forma, é necessário que os exercícios sejam regulares e durem no mínimo três meses, com periodicidade de quatro vezes por semana. Esta base varia de acordo com o objetivo de cada indivíduo e a atividade que será desempenhada.


Defendo que o início da atividade física sem um monitoramento prévio pode trazer diversos riscos à saúde. Dependendo do seu nível de intensidade e de exigência física, seja ela competitiva ou não, desencadeia uma série de fenômenos metabólicos variados e intensos. Se o indivíduo tiver alguma doença silenciosa ou inicial, o exercício escolhido possivelmente elevará os riscos de complicações. A realização de um check-up esportivo antes de fazer atividades físicas tem crescido nos últimos anos, pois as avaliações clínica, física e cardiológica reduzem os riscos de paradas cardiorrespiratórias e outros eventos. Porém, o número é mais expressivo em pacientes que passam por reabilitações cardiopulmonares, que realizam o acompanhamento pós-cirurgia cardíaca ou que sofrem problemas cardiológicos.


A visão de um check-up esportivo deve ser mudada. É preciso que qualquer pessoa que pretende iniciar uma atividade entenda a importância de recorrer a uma avaliação prévia. Muitos exemplos demonstram o perigo que existe em exigir melhor desempenho do corpo sem antes avaliar de forma completa e científica os seus verdadeiros potenciais. Além de complicações imediatas e de alta gravidade, como arritmias, dificuldades respiratórias e até mesmo paradas cardíacas, podem ocorrer lesões osteoarticulares, que às vezes chegam a incapacitar os esportistas e atletas para o exercício da sua atividade.


O oposto também gera problemas. Os conhecimentos científicos modernos indicam que o sedentarismo é um dos mais importantes fatores de risco para o aparecimento de doenças degenerativas cardiovasculares e do metabolismo como o diabete e a síndrome metabólica. A prática regular de atividades físicas contribui para a prevenção e manutenção da saúde.
Tendo em mãos uma avaliação completa e fiel das atuais condições físicas de um esportista (iniciantes ou profissionais) ou atleta, seu técnico (ou treinador, médico do esporte, nutricionista, fisioterapeuta e demais profissionais de saúde com ele envolvidos) poderá contar com uma ferramenta de trabalho fundamental para ajudá-lo a melhorar a sua performance com segurança.


Visite seu Cardioesporte ou Cardiologista!!!


Fonte: Revista Proximus - abril/2010

segunda-feira, 29 de março de 2010

Um sinal escondido


Pesquisa alerta para a importância do alto índice de gordura visceral, uma das mais claras evidências de doenças coronarianas


A circunferência da cintura e do quadril e o índice de massa corporal (IMC, medida obtida com a divisão do peso pela altura ao quadrado) são indicadores de risco conhecidos para a doença coronariana. Um estudo do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) analisou a artéria coronária e a gordura visceral – que se acumula em camadas mais profundas do corpo, dentro da cavidade abdominal – de 125 indivíduos, com idade média de 56 anos. O trabalho reforçou que a alta quantidade de células adiposas nas vísceras está diretamente relacionada ao comprometimento das coronárias, responsáveis pela irrigação do coração.

Até aí, poderia ser apenas um reforço científico para um dado costumeiramente em estudo. A novidade apresentada pelos médicos, entretanto, é mais um alerta para os profissionais da saúde do que para os obesos. A pesquisa demonstrou que, diante do resultado de uma tomografia computadorizada, requisitada com frequência a pacientes com problemas na região visceral, os especialistas devem ficar atentos ao alto índice de gordura visceral. Hoje, embora a imagem aponte com muita clareza essa mazela, o indicador quase nunca é visto com relevância. O olhar atento pode salvar vidas.


Se a gordura visceral já ultrapassou os níveis aceitáveis, é bem provável que as artérias estejam comprometidas, pois esse tipo de adiposidade expõe o paciente a três vezes mais risco de obstrução coronária do que os níveis elevados de gordura subcutânea, por exemplo.


– Quando os indivíduos apresentarem taxa elevada de gordura visceral, os médicos devem encaminhá-los imediatamente à cardiologia. A tomografia computadorizada na região do coração é bem indicada e detecta obstruções não reveladas em exames convencionais – explica Luiz Francisco Ávila, médico assistente da Divisão de Diagnóstico por Imagem do InCor.


A doença arterial coronariana (DAC) é um mal silencioso, e os sintomas demoram a aparecer. Os pesquisadores vinham notando que os resultados de exames de peso e medidas ou até de tomografias tradicionais nem sempre são suficientes.


– Até a artéria ter 70% de obstrução, geralmente, não há sintomas, e os exames convencionais não apresentam alterações significativas. É preocupante porque mais de dois terços dos infartos têm ocorrido em pessoas com placa obstrutiva de 50% – pondera Ávila.


Quais são os riscos?

> A gordura visceral triplica o risco de infartos e derrames.
> Aumenta em cinco vezes a probabilidade de diabetes.
> Gera 30% a mais de risco de câncer.
> Reduz o colesterol bom (HDL).
> Aumenta a taxa de triglicérides e o acúmulo de colesterol ruim (LDL).
> Eleva a pressão arterial.

Medida da cintura

A circunferência ainda é o instrumento mais usado para detectar a gordura visceral:

Em homens brancos e negros
> Acima de 94cm: preocupante
> Acima de 102cm: muito preocupante

Em mulheres brancas e negras
> Acima de 80cm: preocupante
> Acima de 88cm: muito preocupante

Fonte: Caderno Vida - ZH - 27.03.10

sábado, 12 de dezembro de 2009

O dano dos Anabolizantes

Pesquisa inédita revela que essas substâncias degeneram a saúde do coração, do cérebro e elevam o risco de morte súbita

Pela primeira vez, a medicina conseguiu descrever o impacto provocado pelo uso de esteroides anabolizantes no coração e no cérebro. Em um estudo que teve duração de quatro anos, a cardiologista Janieire Alves, da Unidade de Reabilitação Cardíaca e Fisiologia do Exercício do Instituto do Coração, de São Paulo, avaliou 40 homens com idades entre 18 e 40 anos que assumidamente se automedicavam com doses regulares dessas substâncias havia dois anos. Essas drogas imitam o hormônio masculino testosterona e são usadas com a finalidade de aumentar a massa muscular e reduzir a fadiga.

Os prejuízos ao corpo são impressionantes. “Os usuários apresentam um risco cinco vezes maior de ter acidente vascular cerebral, parada cardíaca ou morte súbita do que a população em geral”, afirma a médica Janieire. As conclusões do trabalho serão publicadas em maio de 2010 pela mais renomada revista científica de medicina do esporte, a “Medicine & Science in Sports & Exercise”, do American College of Sports Medicine. “É um avanço mundial no conhecimento sobre a utilização desses compostos”, afirma Carlos Eduardo Negrão, que participou da pesquisa.

Os voluntários do estudo foram submetidos a testes de sangue e a exames para medir a capacidade pulmonar e cardíaca de oxigenar o corpo a cada quatro meses. Porém, essa exigência reduziu o número final de participantes. Só 12 fizeram todos os testes. Além disso, dois tiveram morte súbita e um ficou com câncer de fígado. Os exames revelaram uma preocupante redução do colesterol bom (HDL) e o aumento do ruim (LDL) e dos níveis de pressão arterial (leia mais no quadro), o que eleva o risco de entupimento dos vasos sanguíneos cerebrais e do coração.

A cardiologista Janieire também identificou uma intensa mudança no ritmo do sistema nervoso simpático, que regula a contração dos vasos, a aceleração dos batimentos cardíacos e a concentração do hormônio noradrenalina no sangue. Essas modificações aumentam o esforço do coração para bombear o sangue. “Há casos em que os músculos e áreas do próprio coração recebiam apenas 40% do sangue necessário”, diz a cardiologista.

A associação dessas alterações aumenta as chances de insuficiência cardíaca precoce. O que os pesquisadores não conseguiram saber é se esses efeitos são reversíveis, com a interrupção do uso. “Não foi possível ter essa resposta porque os voluntários voltavam a tomar as substâncias quando sentiam uma perda de massa muscular”, lamenta Janieire.

A “bomba” é ainda pior

Nova pesquisa alerta para os perigos dos anabolizantes. E revela que eles podem levar à morte súbita de seus usuários

Por Monica Tarantino

O efeito dos anabolizantes sobre o coração e o cérebro é muito mais perigoso do que se suspeitava. Pesquisa recente, coordenada pela cardiologista Janieire Nunes Alves, da Unidade de Reabilitação e Fisiologia do Exercício do Instituto do Coração, em São Paulo, revelou que os usuários dessas substâncias têm cinco vezes mais riscos de sofrer um derrame ou parada cardíaca. E que o uso de anabolizantes pode causar câncer e até levar à morte súbita. Confira, abaixo, a entrevista exclusiva que a especialista concedeu a ISTOÉ Online.

ISTOÉ – Quem participou da sua pesquisa?

Janieire Alves – Homens com idade entre 18 e 40 anos que tomavam essas substâncias havia dois anos. Para achá-los, eu fui a várias academias, especialmente a algumas em que se sabia serem pontos de consumo regular de anabolizantes, para perguntar quem gostaria de participar da pesquisa. Mas foi muito difícil conseguir voluntários. As pessoas têm muito medo de ser expostas. Eles só aceitaram participar com a garantia de sigilo absoluto de seus nomes. Um dos motivos é a sua participação em competições, pois o uso de anabolizantes é ilegal. Consegui 40 pessoas, mas apenas 12 fizeram todos os testes necessários.

ISTOÉ – Os testes de rotina, feitos por atletas, não detectam os anabolizantes?

Janieire Alves – Detectam, mas há vários meios de mascarar esses resultados durante o período de competições. Para fazer nosso estudo, por exemplo, a sensibilidade do teste de urina feito inicialmente para atestar o uso foi aumentada dez vezes. Esses exames foram realizados em parceria com a professora Regina Moreau, no Laboratório de Toxicologia da Faculdade de Farmacologia da USP.


ISTOÉ – Como essas substâncias são ingeridas?

Janieire Alves – Por injeção ou via oral. No grupo estudado, vi que o uso se dá em ciclos. As pessoas tomam por cerca de dois meses, depois param algum tempo e voltam quando sentem que a musculatura começa a diminuir.


ISTOÉ – Algum dos voluntários deixou de tomar anabolizantes depois de conhecer mais sobre os efeitos que essas drogas estavam provocando no organismo?

Janieire Alves – Não. De todas as pessoas que participaram, apenas três aceitaram receber apoio psicológico para não usar mais. Um deles estava com sintomas iniciais de câncer de fígado, que é outro efeito colateral do uso constante dessas drogas.


ISTOÉ – Os anabolizantes causam alguma dependência física ou psicológica?

Janieire Alves – Pude observar que a maioria dos voluntários manifesta um transtorno de imagem conhecido como vigorexia. Por mais musculosos que estejam, eles se vêem pequenos e, por isso, precisam ganhar mais massa muscular. É praticamente o oposto da anorexia, em que a pessoa se julga gorda, ainda que isso não corresponda ao peso apontado pela balança ou à imagem refletida no espelho.


ISTOÉ – Qual é a substância mais consumida?

Janieire Alves – No grupo analisado, o estanozolol. É uma droga injetável, indicada para uso veterinário. Ela é mais consumida por ser mais acessível e de baixo custo. Promove a recuperação da musculatura dos animais. Mas existem dezenas de outras substâncias.


ISTOÉ – A musculatura obtida com anabolizantes é igual a conquistada com muita malhação?

Janieire Alves – Nosso estudo mostrou que o ganho excessivo de musculatura, o aumento do tamanho do músculo cardíaco e alterações de pressão acontecem também com as pessoas que praticam musculação em alta intensidade, ou participam das competições de halterofilismo, porém em magnitude muito inferior àqueles que tomam anabolizantes. Na população estudada por nós, identificamos que há uma piora significativa da irrigação dos tecidos. Em testes para avaliar a capacidade cardíaca e respiratória, vimos que essas pessoas ganham força, mas não têm condicionamento ou resistência equivalentes.


ISTOÉ – Existe uma dose segura de anabolizantes?

Janieire Alves - Os anabolizantes são substâncias análogas à testosterona, fabricada nos testículos. Se ela já existe em quantidade suficiente no organismo, doses adicionais inibirão a produção orgânica (natural). A questão é que as substâncias sintéticas não são aceitas da mesma forma que a testosterona natural por outras glândulas, o que inicia um desequilíbrio na troca de mensagens entre os hormônios que regulam os ritmos do corpo. Em consequência, isso leva aos efeitos indesejáveis. Na minha opinião, não se deve tomar se não existe carência provada em exames laboratoriais. O estudo que fizemos fornece sólido embasamento científico mostrando que, para o sistema cardiovascular, essas substâncias são muito deletérias. Elas agem, por exemplo, sobre a glândula supra-renal, estimulando a maior liberação de noradrenalina, que pode aumentar o risco de desenvolvimento de arritmias cardíacas (alterações do ritmo cardíaco), podendo levar até à morte súbita.

Fonte: ISTO É ONLINE - 11.12.09

domingo, 30 de agosto de 2009

Exercício Físico e DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA (DAC)



Se você não passou, certamente conhece alguém que já tenha passado por um infarto ou por complicações cardiovasculares daquelas que acendem a luz vermelha e fazem as pessoas começarem a pensar melhor sobre a sua saúde.

Isso é reflexo da grande incidência das doenças cardiovasculares, principalmente a doença arterial coronariana (DAC), em nossos dias.

A DAC se caracteriza por uma obstrução das coronárias como conseqüência de uma placa de gordura que se forma no seu interior. Esse processo é conhecido como aterosclerose e tem como principal conseqüência o infarto.

O mais importante, a saber, é que, na maior parte dos casos, a DAC não aparece de uma hora para outra, mas é reflexo de uma exposição constante aos chamados fatores de risco.

O desenvolvimento da placa de gordura nas coronárias pode levar anos e entre os seus principais fatores de risco está o sedentarismo.

Assim, a prática regular de exercícios pode fazer muito por quem quer tratar ou prevenir o aparecimento da DAC e suas complicações.
Mas qual é, então, a prática mais adequada para melhorar a saúde cardiovascular e reduzir o risco de infarto?

Primeiro passo

O primeiro passo é fazer uma avaliação cardiológica e realizar um eletrocardiograma de esforço, também chamado de teste ergométrico.
O teste ergométrico vai servir não só para avaliar a sua condição física, mas também para verificar se o coração e a pressão arterial respondem bem ao exercício.

Efeitos do exercício
Os exercícios aeróbios provocam alterações importantes no sistema cardiovascular que beneficiam tanto quem está prevenindo quanto quem, por exemplo, já passou por um infarto e pretende se reabilitar.

Os exercícios de musculação garantem melhoras, principalmente na função muscular, melhorando a capacidade para realização de tarefas que necessitem essencialmente de força nos músculos e reduzindo chance de desconfortos durantes as atividades diárias.

Por isso, um programa ideal deverá incluir esses dois tipos de exercício, tendo como elemento central os exercício aeróbios (caminhada, corrida, bicicleta, etc.) associados aos exercícios de musculação ou de ginástica localizada.

Como os exercícios devem ser realizados:

A intensidade do exercício aeróbio deverá ser de leve a moderada, como por exemplo, aquele que lhe permita andar e conversar ao mesmo tempo, aumentando sempre gradativamente conforme você for se adaptando ao treinamento, para garantir uma boa evolução.

Os exercícios de musculação deverão ser realizados em intensidades não muito elevadas e de forma a não provocarem fadiga excessiva, não havendo, a princípio, nenhum exercício ou aparelho proibido.

Importante

Para qualquer que seja o ambiente em que você resolver treinar existem duas outras medidas importantes: buscar orientação de um professor de educação física e ficar sempre bastante atento a sintomas e desconfortos durante a atividade.

No mais, se já começou, mantenha sua prática de acordo com essas recomendações e se ainda não iniciou, esse é o momento.

Bom treino.


Fonte: Publicado por Márcio Souza - Mestre em Biodinâmica em 28/08/2009 - Treino Total

domingo, 5 de julho de 2009

Estresse engorda

Cérebro estressado age como se estivesse em perigo, ordenando ao corpo que ele tem de se reabastecer de energia e comer

Não tem jeito. O estresse faz parte da vida. O que talvez poucos saibam é que ele também tem a sua responsabilidade no aumento dos ponteiros da balança. O corpo responde a ele – seja estresse físico, seja psicológico – da mesma forma.
Cada vez que você tem um dia complicado, o cérebro age como se você estivesse em perigo e ordena às células do corpo para liberar potentes hormônios, entre eles a adrenalina e o cortisol, que dizem ao organismo que ele deve se reabastecer de energia, fazendo-o ter fome, muita fome.

A liberação de cortisol continua até que as coisas se acalmem. O problema é que são poucos aqueles que têm cenouras e barrinhas à mão. "A maioria acaba se enchendo de doces e comidas ricas em gordura porque elas estimulam o cérebro a liberar substâncias químicas ligadas ao prazer, que reduzem a tensão", explica Elissa Epel, da Universidade da Califórnia.

E mais: quando as glândulas adrenais produzem cortisol, cai a fabricação da testosterona, hormônio ligado ao crescimento muscular. "Com o tempo, isso leva a uma redução da massa muscular e, com isso, o corpo queima menos calorias."
O hormônio também encoraja o corpo a estocar gordura, especialmente a do tipo visceral, perigosa porque circunda órgãos vitais e libera ácidos graxos ao sangue, elevando os níveis de colesterol e abrindo caminho para as doenças do coração e o diabetes.

Fonte: Revista Sport life - 02.07.09