Você é o interessado número:

Mostrando postagens com marcador Anabolizantes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Anabolizantes. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de dezembro de 2009

O dano dos Anabolizantes

Pesquisa inédita revela que essas substâncias degeneram a saúde do coração, do cérebro e elevam o risco de morte súbita

Pela primeira vez, a medicina conseguiu descrever o impacto provocado pelo uso de esteroides anabolizantes no coração e no cérebro. Em um estudo que teve duração de quatro anos, a cardiologista Janieire Alves, da Unidade de Reabilitação Cardíaca e Fisiologia do Exercício do Instituto do Coração, de São Paulo, avaliou 40 homens com idades entre 18 e 40 anos que assumidamente se automedicavam com doses regulares dessas substâncias havia dois anos. Essas drogas imitam o hormônio masculino testosterona e são usadas com a finalidade de aumentar a massa muscular e reduzir a fadiga.

Os prejuízos ao corpo são impressionantes. “Os usuários apresentam um risco cinco vezes maior de ter acidente vascular cerebral, parada cardíaca ou morte súbita do que a população em geral”, afirma a médica Janieire. As conclusões do trabalho serão publicadas em maio de 2010 pela mais renomada revista científica de medicina do esporte, a “Medicine & Science in Sports & Exercise”, do American College of Sports Medicine. “É um avanço mundial no conhecimento sobre a utilização desses compostos”, afirma Carlos Eduardo Negrão, que participou da pesquisa.

Os voluntários do estudo foram submetidos a testes de sangue e a exames para medir a capacidade pulmonar e cardíaca de oxigenar o corpo a cada quatro meses. Porém, essa exigência reduziu o número final de participantes. Só 12 fizeram todos os testes. Além disso, dois tiveram morte súbita e um ficou com câncer de fígado. Os exames revelaram uma preocupante redução do colesterol bom (HDL) e o aumento do ruim (LDL) e dos níveis de pressão arterial (leia mais no quadro), o que eleva o risco de entupimento dos vasos sanguíneos cerebrais e do coração.

A cardiologista Janieire também identificou uma intensa mudança no ritmo do sistema nervoso simpático, que regula a contração dos vasos, a aceleração dos batimentos cardíacos e a concentração do hormônio noradrenalina no sangue. Essas modificações aumentam o esforço do coração para bombear o sangue. “Há casos em que os músculos e áreas do próprio coração recebiam apenas 40% do sangue necessário”, diz a cardiologista.

A associação dessas alterações aumenta as chances de insuficiência cardíaca precoce. O que os pesquisadores não conseguiram saber é se esses efeitos são reversíveis, com a interrupção do uso. “Não foi possível ter essa resposta porque os voluntários voltavam a tomar as substâncias quando sentiam uma perda de massa muscular”, lamenta Janieire.

A “bomba” é ainda pior

Nova pesquisa alerta para os perigos dos anabolizantes. E revela que eles podem levar à morte súbita de seus usuários

Por Monica Tarantino

O efeito dos anabolizantes sobre o coração e o cérebro é muito mais perigoso do que se suspeitava. Pesquisa recente, coordenada pela cardiologista Janieire Nunes Alves, da Unidade de Reabilitação e Fisiologia do Exercício do Instituto do Coração, em São Paulo, revelou que os usuários dessas substâncias têm cinco vezes mais riscos de sofrer um derrame ou parada cardíaca. E que o uso de anabolizantes pode causar câncer e até levar à morte súbita. Confira, abaixo, a entrevista exclusiva que a especialista concedeu a ISTOÉ Online.

ISTOÉ – Quem participou da sua pesquisa?

Janieire Alves – Homens com idade entre 18 e 40 anos que tomavam essas substâncias havia dois anos. Para achá-los, eu fui a várias academias, especialmente a algumas em que se sabia serem pontos de consumo regular de anabolizantes, para perguntar quem gostaria de participar da pesquisa. Mas foi muito difícil conseguir voluntários. As pessoas têm muito medo de ser expostas. Eles só aceitaram participar com a garantia de sigilo absoluto de seus nomes. Um dos motivos é a sua participação em competições, pois o uso de anabolizantes é ilegal. Consegui 40 pessoas, mas apenas 12 fizeram todos os testes necessários.

ISTOÉ – Os testes de rotina, feitos por atletas, não detectam os anabolizantes?

Janieire Alves – Detectam, mas há vários meios de mascarar esses resultados durante o período de competições. Para fazer nosso estudo, por exemplo, a sensibilidade do teste de urina feito inicialmente para atestar o uso foi aumentada dez vezes. Esses exames foram realizados em parceria com a professora Regina Moreau, no Laboratório de Toxicologia da Faculdade de Farmacologia da USP.


ISTOÉ – Como essas substâncias são ingeridas?

Janieire Alves – Por injeção ou via oral. No grupo estudado, vi que o uso se dá em ciclos. As pessoas tomam por cerca de dois meses, depois param algum tempo e voltam quando sentem que a musculatura começa a diminuir.


ISTOÉ – Algum dos voluntários deixou de tomar anabolizantes depois de conhecer mais sobre os efeitos que essas drogas estavam provocando no organismo?

Janieire Alves – Não. De todas as pessoas que participaram, apenas três aceitaram receber apoio psicológico para não usar mais. Um deles estava com sintomas iniciais de câncer de fígado, que é outro efeito colateral do uso constante dessas drogas.


ISTOÉ – Os anabolizantes causam alguma dependência física ou psicológica?

Janieire Alves – Pude observar que a maioria dos voluntários manifesta um transtorno de imagem conhecido como vigorexia. Por mais musculosos que estejam, eles se vêem pequenos e, por isso, precisam ganhar mais massa muscular. É praticamente o oposto da anorexia, em que a pessoa se julga gorda, ainda que isso não corresponda ao peso apontado pela balança ou à imagem refletida no espelho.


ISTOÉ – Qual é a substância mais consumida?

Janieire Alves – No grupo analisado, o estanozolol. É uma droga injetável, indicada para uso veterinário. Ela é mais consumida por ser mais acessível e de baixo custo. Promove a recuperação da musculatura dos animais. Mas existem dezenas de outras substâncias.


ISTOÉ – A musculatura obtida com anabolizantes é igual a conquistada com muita malhação?

Janieire Alves – Nosso estudo mostrou que o ganho excessivo de musculatura, o aumento do tamanho do músculo cardíaco e alterações de pressão acontecem também com as pessoas que praticam musculação em alta intensidade, ou participam das competições de halterofilismo, porém em magnitude muito inferior àqueles que tomam anabolizantes. Na população estudada por nós, identificamos que há uma piora significativa da irrigação dos tecidos. Em testes para avaliar a capacidade cardíaca e respiratória, vimos que essas pessoas ganham força, mas não têm condicionamento ou resistência equivalentes.


ISTOÉ – Existe uma dose segura de anabolizantes?

Janieire Alves - Os anabolizantes são substâncias análogas à testosterona, fabricada nos testículos. Se ela já existe em quantidade suficiente no organismo, doses adicionais inibirão a produção orgânica (natural). A questão é que as substâncias sintéticas não são aceitas da mesma forma que a testosterona natural por outras glândulas, o que inicia um desequilíbrio na troca de mensagens entre os hormônios que regulam os ritmos do corpo. Em consequência, isso leva aos efeitos indesejáveis. Na minha opinião, não se deve tomar se não existe carência provada em exames laboratoriais. O estudo que fizemos fornece sólido embasamento científico mostrando que, para o sistema cardiovascular, essas substâncias são muito deletérias. Elas agem, por exemplo, sobre a glândula supra-renal, estimulando a maior liberação de noradrenalina, que pode aumentar o risco de desenvolvimento de arritmias cardíacas (alterações do ritmo cardíaco), podendo levar até à morte súbita.

Fonte: ISTO É ONLINE - 11.12.09

domingo, 26 de julho de 2009

Esteróides anabolizantes versus perfeição corporal: quanto custa à saúde?



Perfeição corporal

Com a evolução das mídias, a imagem passou a ser supervalorizada, tendo como carro-chefe o cinema que faz da estética como algo primordial. No entanto, os padrões estéticos corporais variam de acordo com as características culturais de cada povo, além de sofrerem modificações no decorrer das gerações. Na verdade, eles desejam realização pessoal, e des­locam este anseio para o culto ao cor­po e a perfeição corporal. A importância que a sociedade demonstra em relação à aparência física é notória na atualidade. Isso pode ser demonstrado, em parte, pela grande presença das matérias relacionadas à saúde, alimentação e exercício físico em qualquer veículo de comunicação (ASSUNÇÃO, 2002).

Ao iniciar qualquer programa de treinamento o indivíduo deve se submeter a uma avaliação, essencial para o planejamento adequado do treino. Muitos têm a saúde como motivador principal, outros a prevenção ou reabilitação de lesões. Porém, a maioria expressa que seu maior objetivo é o estético.

Entre as respostas, invariavelmente aparecem expressões como: "melhora do tônus muscular", "perda da flacidez", "aumento da massa muscular", "perda de gordura corporal", "definição", entre outras. Estas respostas refletem o desejo de tornar o corpo mais atraente aos próprios olhos e às opiniões alheias, atingindo padrões estéticos apresentados pela mídia e por conseqüência, pela maioria das pessoas (TRINDADE, 2005).

Do ponto de vista psiquiátrico, observamos vários transtornos relacionados a esta obsessão por um corpo escultural. Pessoas muito deprimidas e ob­sessivas que, de forma rigorosa, cen­tralizam suas vidas em torno da ques­tão da imagem e acabam tendo uma distorção da avaliação da imagem do seu próprio corpo. Algumas tentam controlar o peso com restrição alimen­tar e desenvolvem quadros de anore­xia nervosa, outras, por não conseguirem suportar longos pe­ríodos de fome e jejum, cedem à com­pulsão alimentar e expulsam a culpa com vômitos – transtorno denomina­do bulimia.

Ao contrário das mulheres que procuram tornarem-se magras, indivíduos do sexo masculino preocupam-se em se tornarem cada vez mais fortes e musculosos. A dismorfia muscular, quadro associado à distorção de imagem corporal em homens, parece ser uma resposta equivalente àquela feminina em se adequar ao padrão corporal ideal, descrito e apreciado socialmente. Este sintoma está relacionado a padrões de alimentação específicos, geralmente compostos de dieta hiperprotéica além de inúmeros suplementos alimentares a base de aminoácidos ou substâncias para aumentar o rendimento físico. A atividade física pode ser realizada de forma excessiva, inclusive causando prejuízos nos funcionamentos social, ocupacional e recreativo do indivíduo, chegando a ocupar de 4 a 5 horas por dia. . Os possíveis ganhos musculares são checados exaustivamente chegando a 13 vezes ao dia (ASSUNÇÃO, 2002).

No mundo do esporte culturista, a definição corporal é representada por um corpo com muito pouca gordura aparente, fundamental para a visualização dos planos musculares (TRINDADE, 2005).

O aumento dos músculos e a sua manutenção tornam-se uma obsessão para os fisiculturistas, que competem entre si, comparando suas medidas de braços e pernas e passando a não poupar esforços para atingir um corpo ideal.

Um indivíduo com dismorfia muscular envolve uma preocupação de não ser suficientemente forte e musculoso em todas as partes do corpo (ASSUNÇÃO, 2002).

Em função dessa obsessão pela busca do corpo escultural, o indivíduo acaba buscando métodos, substâncias e/ou equipamentos que promovam ganhos além dos propiciados pelo treinamento. Algumas destas substâncias são conhecidas como hormônios esteróides e outros com propriedades anabolizantes.


Anabolizantes
O desejo do homem de se superar, tentando ser mais forte e mais potente, sem respeitar os limites vem desde tempos remotos.

No ano de 1935, a testosterona foi sintetizada, pela primeira vez, por Ruzica e Weltstein e, em 1939, Boje sugeriu que os hormônios sexuais poderiam aumentar o desempenho atlético. No final dos anos 40 e no início dos anos 50, culturistas da Costa Oeste dos Estados Unidos começaram a experimentar preparados de testosterona. Todavia, o registro histórico do uso de hormônios sexuais no aumento do desempenho em campeonatos mundiais é datado de 1954, quando foram utilizados por atletas russos durante o Campeonato Mundial de Levantamento de Peso, em Viena, na Áustria (SILVA, et al, 2002).


Devido a razões de ordem ética e aos efeitos nocivos à saúde, essas substâncias tiveram o uso proibido pelo COI a partir de 1976, na Olimpíada de Montreal, onde foi realizado pela primeira vez o controle de anabolizantes. Seis atletas foram punidos pelo uso indevido (MARQUES, et al, 2003).

A busca de formas alternativas para alcançar vitórias (no esporte) ou um corpo ideal, leva ao indivíduo à procura por métodos, substâncias e equipamentos que promovam ganhos, levando-os a consumir hormônios esteróides e outros com propriedades anabolizantes.

Indivíduos fisicamente ativos têm consumido os mais diversos tipos de suplementos alimentares, na tentativa de superar marcas, recordes, ou até mesmo ultrapassar os seus próprios limites, colocando em risco a integridade física (ALVES, M. C. S. et al, s/a).

Os esteróides anabolizantes androgênicos (EAA) são hormônios esteróides criados por modificações na molécula de testosterona, portanto são quase idênticos aos hormônios sexuais masculinos (BACURAU, 2001). A testosterona é o hormônio esteróide androgênico mais importante produzido pelas células de Leydig nos testículos e no córtex adrenal. Já nas mulheres, é produzido em pequena quantidade pelos ovários. Os esteróides anabolizantes ou esteróides anabólico-androgênicos (EAA) são promotores e mantenedores das características sexuais associadas à masculinidade (incluindo o trato genital, as características sexuais secundárias e a fertilidade) e do status anabólico dos tecidos somáticos (SILVA, P. R. P. et al, 2002).

Os EAA são utilizados ilicitamente por indivíduos, atletas ou não, com o objetivo de aumentar a força muscular ou melhorar a aparência. Seus usuários acreditam que estas drogas proporcionam sessões de atividade física mais intensa por retardar a fadiga, aumentar a motivação e a resistência, estimular a agressividade e diminuir o tempo necessário para a recuperação entre as sessões de exercício. Além disso, os esteróides anabolizantes teriam ação direta no crescimento do tecido muscular (ASSUNÇÃO, 2002).

Os usuários de EAA acreditam que estas drogas são diferentes quanto a sua ação e então combinam múltiplas preparações de esteróides na forma oral ou injetável, visando maiores efeitos. Essa prática recebe o nome de combinação ou acúmulo. Eles também aumentam progressivamente a dose das drogas utilizadas durante períodos (ciclos) de 6 a 12 semanas denominando esta prática de pirâmide.

Na gíria popular, os anabolizantes são vulgarmente conhecidos pelo nome de "bomba" (em referência ao efeito de inchaço muscular por eles produzido), e é também comum que fisiculturistas sejam chamados pejorativamente de "bombados" (IRIART & ANDRADE, 2002).

A posição do Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM) é de que os EAA, na presença de um treinamento de hipertrofia e de uma dieta adequada, podem contribuir para aumentos no peso corporal, frequentemente no compartimento magro (BACURAU, R. F. et al, 2001).

O culto ao corpo musculoso, que estimula a competição entre os freqüentadores da academia pela escolha do mais forte, do que tem os músculos mais bem definidos ou de quem tem o corpo que atrai mais atenção nas ruas, contribui para o aumento do consumo de anabolizantes.


O uso terapêutico dos esteróides anabolizantes

Desde tempos remotos que os esteróides anabolizantes são usados com fins terapêuticos.

No término da 2a Guerra Mundial, os androgênios eram utilizados no tratamento de pacientes em condições terminais ligadas à debilidade crônica, bem como no traumatismo, em queimaduras, na depressão e na recuperação de grandes cirurgias. No entanto, somente na década de 50, os EAA tiveram maior aceitação para uso médico (SILVA, 2002).

Os esteróides anabolizantes quando utilizados de forma correta e na dosagem terapêutica recomendada, pode vir contribuir com excelentes resultados no tratamento de inúmeras patologias. A dosagem terapêutica é aquela recomendada para produzir resposta farmacológica em condições clínicas bem definidas (SANTOS, 2007).

Atualmente, os EAA têm sido administrados no tratamento das deficiências androgênicas: hipogonadismo, puberdade e crescimento retardados, micropênis neonatal, deficiência androgênica parcial em homens idosos, deficiência androgênica secundária a doenças crônicas, e na contracepção hormonal masculina (AURIEMA, 2008).

A terapia androgênica pode, também, ser utilizada no tratamento da osteoporose, da anemia causada por falhas na medula óssea ou nos rins, do câncer de mama avançado, em garotos com estatura exagerada, e até mesmo em situações especiais da obesidade. Há relatos de uso de esteróides anabólicos em baixas doses por via transdérmica no tratamento de doenças cardiovasculares, tendo efeitos antiaterogênicos e como agentes antianginosos (SILVA, 2002).

Os esteróides também têm sido utilizados no tratamento da sarcopenia relacionada ao HIV e em pacientes que apresentam fadiga muscular pela doença renal crônica submetidos à diálise, da sarcopenia associada à cirrose alcoólica, à doença obstrutiva pulmonar crônica (DPOC), e da sarcopenia em pacientes com queimaduras graves. Recentemente, foi demonstrado que a utilização dos esteróides anabolizantes acelerou o crescimento linear e teve alguns efeitos benéficos no retardo da fraqueza em pacientes com distrofia muscular de Duchenne (AURIEMA, 2008).

Efeitos adversos causados pelos EAA

O fato de nunca ter percebido sintomas mais graves e de conhecer pessoas que consomem altas doses de esteróides sem apresentar sintomas visíveis, leva o indivíduo a acreditar que problemas de saúde jamais acontecerão com ele. Entretanto alguns destes efeitos colaterais podem aparecer de forma leve, outros podem ser temporários ou em até mesmo irreversíveis.

O abuso de esteróides causa virilização grave em mulheres, nos homens, diminuição temporária dos testículos e esterilidade. Além disso, essas drogas estão associadas às doenças hepáticas, inclusive câncer, alterações desfavoráveis do colesterol sangüíneo e muitos outros distúrbios, entre eles, perturbações psicológicas imprevisíveis (LAMB,1996).

O uso dos esteróides de forma injetável pode vir transmitir doenças contagiosas pelos vírus das Hepatites B e C, além de infecção pelo HIV por motivos de compartilharem seringas contaminadas.

Registros em literaturas relatam que embora seja difícil comprovar a relação causal do uso de anabolizantes e infarto agudo do miocárdio, fatores de risco como dislipidemia, alteração nos fatores da coagulação e hipertrofia do miocárdio relacionado ao uso desses produtos (IRIART & ANDRADE, 2002).

Nos homens, os efeitos podem causar ginecomastia (desenvolvimento excessivo das glândulas mamárias), carcinoma prostático, alteração do perfil tireóideo, alteração do metabolismo glicídico (LISE, et al, 1999).

Os sintomas mais simples e temporários tais como cefaléia, náuseas, tonturas, irritabilidade, acne, febre e aumento dos pêlos corpóreos, inicialmente passam despercebidos, porém, com o tempo, passam a ser notados pelos usuários de anabolizantes como normais.

Alguns dos efeitos colaterais apresentados nos homens também aparecem nas mulheres, podendo ser adicionado de regressão das mamas, aumento do clitóris, crescimento de pelos na face, engrossamento da voz. Alguns destes efeitos masculinizantes são permanentes, não desaparecendo mesmo depois da interrupção do uso (BACURAU, 2001).

O uso contínuo e em doses abusivas de esteróides anabolizantes podem levar o indivíduo a óbito por infarto cardíaco, trombose cerebral, hemorragia hepática, sangramento de varizes no esôfago, metástase de tumores da próstata e do fígado, infecções por depressão da imunidade ou contaminação por medicamentos falsificados (SANTOS, 2007).

Alterações de enzimas hepáticas, icterícia, peliose hepática (cistos hepáticos com sangue) e tumores hepáticos estão associados com o uso de EAA. Tumores malignos e hemorragias por ruptura de um cisto podem levar à morte, mas as outras alterações, inclusive alguns dos tumores, são reversíveis (PELUSO, s/a).

A vaidade e a busca pela perfeição corporal também atingem indivíduos sexualmente imaturos (adolescentes). Isso se dá também pela cobrança da sociedade pelo “corpinho malhado” e pela fase de transição na faixa etária na ansiedade de tornarem-se indivíduos maduros (adultos). Entretanto, o uso de esteróides por adolescentes ”pode resultar no fechamento precoce das cartilagens de crescimento, resultando, conseqüentemente, numa estrutura fina menor” (BACURAU, 2001).

Segundo psiquiatras, o uso de EAA também pode causar efeitos colaterais psicológicos, de formas diferentes de acordo com a dose e o tipo da droga.

Dentre os efeitos psicológicos podem ser citados comportamento agressivo, aumento ou diminuição da libido, alterações repentinas do humor, dependência, psicose, episódios maníacos depressivos, tentativa de suicídio, depressão quando da retirada, ansiedade, euforia e irritabilidade (LISE et al, 1999).

Conclusão

A busca pelo corpo perfeito é um desejo cultuado tanto pelos homens quanto pelas mulheres, e isso se dá através da influência causada pela mídia e cobrança da sociedade em geral. Isto faz com que indivíduos busquem alternativas muitas vezes prejudiciais à saúde, levando-os a usar esteróides anabolizantes de forma indiscriminada a fim de obter um corpo escultural. O comércio livre (mercado negro, farmácias de manipulação, farmácias veterinárias), e à obtenção sem prescrição médica ou com prescrição médica indevida facilitam o acesso a estas drogas, o que torna a população mais vulnerável às tentações da realização deste desejo. Entretanto a principal razão de desencorajar um indivíduo a usar esteróides anabolizantes, são os efeitos colaterais causados de ordens físicas e psíquicas.

A informação, educação e divulgação das implicações do uso indiscriminado e não-terapêutico destas drogas são uma excelente alternativa para a conscientização dos indivíduos a não procurarem por estas substâncias, tendo em vista que para alcançar o tão sonhado corpo perfeito, é necessário um conjunto de fatores que reúnem a genética, associada ao treinamento e alimentação adequada. Desta forma o indivíduo preserva a integridade física e metal.





Referências
ASSUNÇÃO, S. S. M.; Dismorfia Muscular – Ver. Brás. Psiquiatr. V.24 supl.3 São Paulo dez. 2002.
BACURAU, R. F.; NAVARRO, F.; UCHIDA, M.C. & ROSA, L. F. B. P. C Hipertrofia Hiperplasia – Fisiologia, nutrição e Treinamento do crescimento muscular. São Paulo: Phorte Editora Ltda, 2001.
IRIART, J. A. B; ANDRADE, T. M. Musculação, uso de esteróides anabolizantes e percepção de risco entre os jovens fisioculturistas de um bairro popular de Salvador, Bahia, Brasil – Cad. Saúde Pública vol. 18 no. 5 Rio de Janeiro Set. /Out. 2002.
LAMB, D. R.; O uso abusivo de esteróides anabolizantes no esporte- Gatorade Sports Science Institute.
LISE, M. L. Z; GAMA E SILVA, T. S; FERIGOLO, M; BARROS, H. M. T. O abuso de esteróides anabólico-androgênico em atletismo. Rev. Ass. Med. Brasil., 45(4):364-370, 1999.
MARQUES, M. A. S; PEREIRA, H. M. G; NETO, F. R. A. Controle de dopagem de anabolizantes: o perfil esteroidal e suas regulações. Ver. Bras. Med. Esporte v.9 n.1 Niterói jan./fev. 2003.
PELUSO, M. A. M; ASSUNÇÃO, S. S. M; ARAÚJO, L. A. S. B & ANDRADE, L. H. G. Alterações psiquiátricas associadas ao uso de anabolizantes.
SANTOS, A. M. O mundo anabólico: análise do uso de esteróides anabólicos no esportes. 2. ed. Ver. E ampl. – Barueri, SP : Manole, 2007.
SILVA, P. R. P,; DANIELSKI, R.; CZEPIELEWSKI, M. A. Esteróides anabolizantes no esporte – Rev. Brás. Psiquiatr. V.24 supl.3 – São Paulo – dez. 2002.
TRINDADE, R. S.; Estética Corporal no Alto Rendimento Esportivo – Disponível em: http://www.cbcm.com.br/modulos/artigos/descricao.php?cod=28. Acesso: 22/mai/08.