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segunda-feira, 29 de março de 2010

Um sinal escondido


Pesquisa alerta para a importância do alto índice de gordura visceral, uma das mais claras evidências de doenças coronarianas


A circunferência da cintura e do quadril e o índice de massa corporal (IMC, medida obtida com a divisão do peso pela altura ao quadrado) são indicadores de risco conhecidos para a doença coronariana. Um estudo do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) analisou a artéria coronária e a gordura visceral – que se acumula em camadas mais profundas do corpo, dentro da cavidade abdominal – de 125 indivíduos, com idade média de 56 anos. O trabalho reforçou que a alta quantidade de células adiposas nas vísceras está diretamente relacionada ao comprometimento das coronárias, responsáveis pela irrigação do coração.

Até aí, poderia ser apenas um reforço científico para um dado costumeiramente em estudo. A novidade apresentada pelos médicos, entretanto, é mais um alerta para os profissionais da saúde do que para os obesos. A pesquisa demonstrou que, diante do resultado de uma tomografia computadorizada, requisitada com frequência a pacientes com problemas na região visceral, os especialistas devem ficar atentos ao alto índice de gordura visceral. Hoje, embora a imagem aponte com muita clareza essa mazela, o indicador quase nunca é visto com relevância. O olhar atento pode salvar vidas.


Se a gordura visceral já ultrapassou os níveis aceitáveis, é bem provável que as artérias estejam comprometidas, pois esse tipo de adiposidade expõe o paciente a três vezes mais risco de obstrução coronária do que os níveis elevados de gordura subcutânea, por exemplo.


– Quando os indivíduos apresentarem taxa elevada de gordura visceral, os médicos devem encaminhá-los imediatamente à cardiologia. A tomografia computadorizada na região do coração é bem indicada e detecta obstruções não reveladas em exames convencionais – explica Luiz Francisco Ávila, médico assistente da Divisão de Diagnóstico por Imagem do InCor.


A doença arterial coronariana (DAC) é um mal silencioso, e os sintomas demoram a aparecer. Os pesquisadores vinham notando que os resultados de exames de peso e medidas ou até de tomografias tradicionais nem sempre são suficientes.


– Até a artéria ter 70% de obstrução, geralmente, não há sintomas, e os exames convencionais não apresentam alterações significativas. É preocupante porque mais de dois terços dos infartos têm ocorrido em pessoas com placa obstrutiva de 50% – pondera Ávila.


Quais são os riscos?

> A gordura visceral triplica o risco de infartos e derrames.
> Aumenta em cinco vezes a probabilidade de diabetes.
> Gera 30% a mais de risco de câncer.
> Reduz o colesterol bom (HDL).
> Aumenta a taxa de triglicérides e o acúmulo de colesterol ruim (LDL).
> Eleva a pressão arterial.

Medida da cintura

A circunferência ainda é o instrumento mais usado para detectar a gordura visceral:

Em homens brancos e negros
> Acima de 94cm: preocupante
> Acima de 102cm: muito preocupante

Em mulheres brancas e negras
> Acima de 80cm: preocupante
> Acima de 88cm: muito preocupante

Fonte: Caderno Vida - ZH - 27.03.10

sábado, 20 de março de 2010

Ciático, um pesadelo


Reforço da musculatura e acupuntura podem aliviar e até eliminar as fortes dores no nervo



O motorista Flávio Werlei de Sousa, 38 anos, sofria com dor no nervo ciático desde 2007. O problema o incapacitou para o trabalho e fazia uma simples caminhada parecer uma maratona. Até obter o diagnóstico correto, Flávio peregrinou por ortopedistas, neurologistas e reumatologistas. Chegou a ser submetido a uma cirurgia de varizes, que não amenizou em nada a agonia, e perdeu a conta dos medicamentos que tomou.


– A dor era horrível, irradiava pela perna esquerda. Não encontrava posição que aliviasse. Era uma tortura. Nem apontar o local que mais doía para os especialistas eu conseguia. Durante meses, tentei a fisioterapia e a acupuntura. Tudo em vão. Fiquei desesperado – conta.


A dor ciática acomete homens e mulheres em todas as idades. É mais comum dos 30 anos aos 40 anos. Coordenador do Departamento de Coluna da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, o neurocirurgião Márcio Vinhal explica:


– É o nervo mais longo do corpo humano, leva enervação para toda a musculatura dos membros inferiores, sendo responsável pela sensibilidade, flexibilidade e força da região lombar, nádegas, pernas e pés – detalha.


Embora não existam estudos que comprovem a frequência da dor ciática na população brasileira, o especialista garante que ela é alta e virou um motivo recorrente de afastamento do trabalho e de atividades rotineiras. Vinhal pondera que a ciatalgia é sintoma de algumas doenças.


– A hérnia de disco é a maior causadora desse tipo de dor, seguida da degeneração natural desses discos intervertebrais, cujas funções são evitar o atrito entre uma vértebra e outra e amortecer o impacto entre elas – revela.


O comprometimento do ciático também pode ser resultado do escorregamento (deslocamento) da coluna e do encolhimento do canal vertebral, problemas que comprimem o nervo e, consequentemente, provocam a sensação dolorida.


– A boa notícia é que os males podem ser controlados. Apenas 10% dos pacientes com dor ciática precisam de tratamento. A cirurgia deve ser o último recurso, indicada quando as outras terapias falharam – especifica.


Dirigindo ônibus em viagens interestaduais, Flávio Werley de Sousa passava toda a jornada de trabalho sentado, um fator de risco para a dor ciática. Esportistas que submetem o corpo a impactos de alta intensidade também estão mais expostos a traumas na inervação, fraturas na lombar e à própria hérnia de disco. O motorista tinha duas, além de artrose na coluna


.– Não conseguia mais dirigir. A dor também me tirou o sono. Minha vida estagnou. Fiz a cirurgia e já consigo caminhar sem sentir o incômodo. Comecei a fazer a fisioterapia para recuperar os movimentos – conta.


A aposentada Lenita Guimarães Muniz, 62 anos, também é vítima da dor ciática. Assim como Flávio, antes de ter o diagnóstico de hérnia de disco entre as vértebras L4 e L5, ela peregrinou por diversos consultórios médicos.


– Minha dor irradiava pelas nádegas e pernas. Não tinha força para andar. Era como se eu não conseguisse comandar meu próprio corpo. Caí algumas vezes, fiquei de cama – conta.


Lenita encontrou na hidroterapia e na acupuntura duas grandes aliadas.


– Sem elas, não estaria andando. A hidro fortalece o ciático e solta a musculatura. A acupuntura cuida do processo inflamatório e ameniza a dor. Elas estão incorporadas na minha rotina. Se fico uma semana sem fazer qualquer uma das duas, meu nervo retrai, e o pesadelo volta – resume.


Preste atenção!!!


Controlar o peso, ter boa postura e não deixar os músculos preguiçosos postergam ou até evitam a manifestação do problema. A cirurgia controla os sintomas e alivia rapidamente a dor incapacitante, mas deve ser indicada em último caso.

– Menos de 5% dos pacientes que sofrem dor ciática em decorrência de hérnia de disco têm indicação cirúrgica. Muitos procedimentos são realizados sem necessidade – confirma Zylbersztejn.


Fonte: Caderno Vida - ZH - 13.03.10

Esperança na fruta - PAPAIA


Extrato do mamão-papaia é capaz de frear o crescimento de células cancerígenas


Todos os anos, o Brasil colhe cerca de 1,6 milhão de toneladas de mamão-papaia, o que lhe confere a condição de maior produtor mundial. Do outro lado do mundo, no Vietnã, Nam Dang cresceu ouvindo várias histórias de pacientes com câncer avançado que não mais respondiam a tratamentos convencionais. E de alguns deles que haviam experimentado uma diminuição na evolução dos tumores após beberem o chá feito com a folha da fruta.


– Quando eu trabalhava no MD Anderson Cancer Center, em Houston (EUA), encontrei uma paciente com avançado câncer de estômago metástico que havia falhado no tratamento de quimioterapia convencional e experimentara uma remissão de vários anos depois de ingerir o chá – conta Dang, hematologista e oncologista da Universidade da Flórida.


Após investigar o histórico clínico de pacientes, o médico decidiu trabalhar em parceria com um antigo colaborador de suas pesquisas, o japonês Chikao Morimoto, professor e diretor do Departamento de Imunologia Clínica da Universidade de Tóquio, no Japão. Ambos investigaram o efeito in vitro (em tubos de ensaio) dos extratos da folha de papaia.


– O chá tem alguma atividade contra a proliferação de várias células do câncer, além de ação imunomoduladora – afirma Morimoto.


De acordo com Dang, os testes mostraram que o extrato do chá de papaia surte um efeito direto na eliminação das células cancerígenas ao inibir o crescimento do tumor.


– Além disso, percebemos que o extrato da folha de papaia estimula a liberação de certos fatores imunes (citoquinas) que podem potencialmente ativar o sistema imunológico e ser importantes no combate a tumores selecionados – explica o vietnamita.


As citoquinas Th-1 – cuja produção é acelerada pelo chá – regulam o sistema imunológico, fazendo com que ele tenha eficiência em combater vários tipos de câncer, e podem abrir caminho para estratégias terapêuticas inovadoras e baseadas na própria defesa do organismo. Morimoto afirma que alguns dos pacientes responderam muito bem ao tratamento, com o completo desaparecimento do tumor ou com a considerável melhora na qualidade de vida.


– O ponto mais importante é que os extratos de papaia não apresentaram qualquer efeito colateral. Isso ajudará na eficiência das terapias padrões – prevê o japonês.


Dang notou que os registros clínicos de pacientes com câncer que faziam uso do chá havia bastante tempo não apresentavam qualquer reação adversa.


– Isso é muito diferente da quimioterapia, que pode ter efeitos muitos fortes e inespecíficos, que muitas vezes levam à interrupção do tratamento ou mesmo colocam a vida em perigo – comenta o vietnamita.


Os estudos de Dang e Morimoto e colegas foram detalhados na edição de 17 de fevereiro da revista científica Journal of Ethnopharmacology. Apesar de celebrar os resultados das pesquisas, Dang sabe que ainda há muito a ser feito:


– Nós precisamos identificar a substância ativa no extrato do chá da folha de papaia que tenha atividade contra o câncer. Depois, será necessário testar a substância de um modo científico e rigoroso, para termos a certeza de que o efeito é específico e que não seja ligado à aleatoridade.


Acima de qualquer coisa, o especialista da Universidade da Flórida (EUA) quer comprovar que o chá é seguro, como foi sugerido pelos históricos clínicos aos quais teve acesso.


– Esse é um primeiro passo encorajador, que nos dará uma explicação científica para as anedotas clínicas – conclui.


Fonte: Caderno VIDA - ZH - 20.03.10