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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Ganho de peso na gestação - benefícios do exercício

Um dos maiores medos da mulher na gestação é engordar e é comum ouvirmos mulheres dizendo que engordaram 20-25 kilos durante a gravidez. Além da estética será que existe algum perigo para o excessivo ganho de peso durante a gravidez, existe riscos para a mulher e para o bebê associados a esse aumento de peso?

De fato a mulher tem que aumentar o seu peso e esse é distribuído entre o conteúdo feto-placentário e mais os tecidos da mulher que também aumentam como coração, mamas, líquidos, e é claro, a gordura.

Durante a gestação, existem duas fases metabólicas bem definidas:

- Ganho de Peso na Gravidez (no primeiro e segundo trimestres)

No primeiro e segundo trimestres há o crescimento fetal mínimo e nessa fase há o grande perigo do aumento da gordura porque a mãe além do metabolismo alterado, ela tem mais fome e come mais, processo denominado hiperfagia, resultando então no aumento do peso corporal materno, especificamente pelo grande acúmulo de gordura. Portanto o ganho de peso na gestação se dá pelas mudanças teciduais e gordura.

Uma das maravilhas é que todo esse processo faz com que a mulher durante a gestação poupe sua glicose para o seu bebê. Há uma inversão metabólica em seu organismo fazendo com que ela estoque gordura para ter alimento para ela e disponibilizando dessa forma a quantidade adequada de glicose para crescimento e formação do bebê.

- Ganho de Peso na Gravidez (no último trimestre)

No último trimestre, há o intenso crescimento fetal, que é sustentado pela transferência de nutrientes da circulação materna. O acúmulo de gordura cessa e em muitos casos, há até queda nos depósitos de gordura. Especialmente nesse período (terço final), os pesos fetal e placentário aumentam aceleradamente elevando as necessidades calóricas à custa do metabolismo materno.

Iniciar a gestação com sobrepeso, obesidade ou ganhar peso excessivo durante, são fatores de risco e podem levar a gestante ao desenvolvimento de hipertensão arterial e pré-eclâmpsia. Há o risco também de desenvolvimento de diabetes gestacional que está associado a um crescimento fetal exagerado (macrossomia fetal). Essas situações podem provocar riscos obstétricos durante o parto e obesidade pós-parto. Cerca de 45% das mulheres obesas no mundo ganharam peso após a gravidez.

Benefícios do Exercício na Gestação

Um dos benefícios com a prática de exercícios na gestação é auxiliar no controle do ganho de peso, controlando dessa forma o ganho de gordura (aumento da adiposidade).

O controle no ganho de peso durante gravidez também está associado a um melhor controle da pressão arterial, prevenindo pré-eclâmpisa e eclâmpsia; e prevenção de diabetes gestacional.

Todos esses benefícios levam a redução de complicações no parto, favorecendo a saúde da mulher e do bebê.

Fonte: Gizele Monteiro - portal Mais Vida Gestante

sábado, 19 de setembro de 2009

Atividade física e gestação: saúde da gestante não atleta e crescimento fetal






Oie!!! Mais uma artigo para as futuras mamães... Mando um alô especial para as minha amigas/alunas que estão nessa fase: Lola, Sandra Stein, Débora Brizola, Adriana Pinto, Janice, Janine, Maria... uuuffffaaaaa, esqueci alguém??? Sejam felizes e claro, ÓTIMA GESTAÇÃO E PARTO... Bjos, Lú


Introdução

A atividade física é definida como qualquer movimento corporal decorrente de contração muscular, com dispêndio energético acima do repouso que, em última análise, permite o aumento da força física,
flexibilidade do corpo e maior resistência, com mudanças, seja no campo da composição corporal ou de performance desportiva. A prática de atividade física regular demonstra a opção por um estilo de vida mais ativo, relacionado ao comportamento humano voluntário, onde se integram componentes e determinantes de ordem biológica e psico-sócio-cultural.

Evidências baseadas em estudos epidemiológicos, confirmaram o papel decisivo da prática da atividade física na promoção da saúde, na qualidade de vida e na prevenção e/ou controle de diversas doenças.

Diretrizes para a promoção de estilos de vida saudáveis têm sido recomendadas por órgãos envolvidos com a saúde pública, destacando-se a prática de atividade física regular em todo o ciclo vital.A World Health Organization (WHO) estabelece que para prevenir e manejar a atual epidemia global de obesidade, deve haver a integração da atividade física regular no cotidiano, acompanhada de melhoria da qualidade de vida e alimentação.

Privilégio anteriormente do sexo masculino, as mulheres passaram, recentemente, a representar importante grupo na prática da atividade física e, embora persistam controvérsias sobre esta prática no período gestacional, a atividade física vem se integrando de forma crescente nesse grupo. Em décadas passadas, as gestantes eram aconselhadas a reduzirem suas atividades e interromperem, até mesmo, o trabalho ocupacional, especialmente durante os estágios finais da gestação, acreditando-se que o exercício aumentaria o risco de trabalho de parto prematuro por
meio de estimulação da atividade uterina.

No entanto, em meados da década de 90, o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), reconheceu que a prática da atividade física regular no período gestacional, deveria ser desenvolvida desde que a gestante apresentasse condições apropriadas. Segundo Artal e Gardin, as mudanças na sociedade quanto aos direitos de cidadania relativos à posição das mulheres, que se fortaleceram através de movimentos sociais nos anos sessenta, refletiram-se também na assistência pré-natal, ampliando
as estratégias implementadas no atendimento, o que contribuiu para que o exercício físico ganhasse ênfase. Todavia, para Gallup, ainda são insuficientes até hoje, os trabalhos publicados com enfoque na
prática da atividade física regular durante a gestação bem como informações sobre a sua indicação.

O presente trabalho tem por objetivo apresentar, através de revisão de literatura, considerações levantadas a respeito da prática de atividade física regular durante a gestação, com enfoque especial sobre o efeito na saúde da gestante não atleta e no crescimento fetal. A revisão dos artigos limitou-se ao período de 1992 a 2002, utilizando-se os termos: exercise, exercise and pregnancy, physical activity, pregnancy and physical activity. As publicações foram obtidas nos bancos de dados Medline e Pubmed, sendo consultados ainda livros didáticos de diferentes períodos, para esclarecimentos sobre definições de atividade física, alterações orgânicas durante a gestação e crescimento fetal.

Aspectos nutricionais

Durante a gestação o estado anabólico permanece dinâmico em função das demandas nutricionais, promovendo ajustes contínuos em relação a diversos nutrientes e micronutrientes. O ganho de peso que no início do período gestacional é reduzido comparado à fase final, necessita ser permanentemente controlado para evitar a ocorrência de deficiência ou excesso.

O ganho de peso em excesso pode expor a gestante ao desenvolvimento de diversas patologias, tais como hipertensão arterial, diabetes, obesidade pósparto, macrossomia fetal, além de complicações no parto e puerpério. A deficiência do ganho de peso pode trazer prejuízo para o crescimento e desenvolvimento fetal. No entanto, o ganho de peso insuficiente extrapola este único aspecto, sendo prejudicial para a tríade gestante, trabalho de parto e feto, especialmente frente à prática de atividade física regular.

Nos tempos atuais, o controle do ganho de peso gestacional, adquiriu um "novo conceito" com o impingir social da "estética da magreza". A preocupação da gestante, quanto ao ganho de peso, dividese entre o peso necessário e suficiente que deverá obter sem prejuízo para a gestação, e o peso que terá após o parto. Todavia, vale lembrar, a dieta de controle para perda ou manutenção de peso não é indicada nessa fase, mesmo para gestantes obesas, praticantes ou não de atividade física.

Segundo estudo de Dewey e McCrory, ainda não existe consenso sobre a relação entre o ganho de peso gestacional e a prática de exercícios físicos.

Para Clapp e Little, tal associação foi observada em um estudo longitudinal com 79 mulheres praticantes de atividade física recreacional, sendo subdivididas em 44 que permaneceram praticando exercícios físicos anterior e durante a gestação e 35 que reduziram
ou cessaram a atividade quando gestantes.

Os autores destacaram que aquelas que praticaram a atividade física durante o terceiro trimestre de gestação apresentaram redução na velocidade de ganho de peso com significante diminuição da gordura localizada, aferida através de cinco dobras subcutâneas (22 ± 2mm em praticantes e 31 ± 2mm em não praticantes).

O estudo também revelou que as mulheres com melhor nível de educação e não fumantes foram mais motivadas a manterem dieta balanceada, iniciando a gestação com o peso adequado e acumulando
menos gordura no último trimestre da gravidez.
Resultado diferenciado foi observado no estudo descritivo de Horns et al., comparando primíparas sedentárias e praticantes de atividade física regular durante o último trimestre de gravidez. Os autores concluíram que a prática da atividade física
não apresentou significante efeito sobre o ganho de peso materno, mas associou-se (c2 = 7,45 e p <0,01)>
Uma questão metodológica em ambos os estudos refere-se à ausência de relato sobre controle de variáveis que interferem no ganho de peso gestacional, como estado nutricional da gestante, idade, paridade e intervalo interpartal, dentre outros.

Todavia, a American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) reconhece que a prática regular de atividade física durante a gestação parece atuar no controle do ganho de peso nesse período e no pós-parto, especialmente quando o suprimento nutricional está adequado. Na mesma linha de interesse sobre o suprimento nutricional na gestação e a prática de atividade física, King, revendo estudos sobre a fisiologia durante a gestação, destacou que as necessidades calóricas durante a prática de atividade física são contra-balanceadas através da compensação entre o tempo despendido na atividade, o tempo de descanso e o gasto energético consumido no
tipo de atividade. Para a autora, o gasto energético está diretamente relacionado com a proporção em que varia o aumento da atividade e o aumento do metabolismo basal. Segundo Butterfield e King, esse fenômeno pode apontar para a possibilidade de uma adaptação fisiológica preservando a energia que já esta sendo estimulada. No entanto, os autores têm cautela quanto a essa afirmação e reconhecem a necessidade de que sejam estabelecidas recomendações nutricionais efetivas para gestantes praticantes de atividade física. O suprimento nutricional balanceado e adequado representa o eixo central para a prática de atividade física regular, durante ou fora do período gestacional.

Embora muito se saiba sobre a nutrição do atleta e a nutrição durante a gravidez, ainda são escassos os estudos integrando os dois aspectos.

Considerada-se fundamental que diversos fatores relacionados às necessidades nutricionais na fase gestacional sejam observados, tais como: idade, paridade, intervalo interpartal, estado nutricional préconcepção e atual, atividade ocupacional, tipo e intensidade do exercício físico, e fase gestacional dentre outros.

Para as mulheres ativas fisicamente mas não gestantes, as recomendações de proteína atingem 12% das calorias totais, enquanto para os lipídios ainda não há consenso, sendo comum empregar-se no máximo 30% do valor energético total. Dietas com baixo teor de lipídios são inadequadas ao bom rendimento físico. Os carboidratos, utilizados em forma de glicogênio e glicose, são elementos fundamentais na prática da atividade física. Sugere-se que a alimentação de uma mulher ativa fisicamente mas não-gestante, apresente cerca de 60% das calorias totais em forma de carboidratos, garantindo-se ainda, o suprimento de vitaminas e minerais. A atividade física eleva por diversas vias a necessidade de alguns micronutrientes. O estresse metabólico, por exemplo, exige a adequação especialmente de vitaminas do complexo B, sendo indispensável a suplementação de ácido fólico. Recomendações nutricionais são de extrema utilidade como base para orientações e avaliações, embora ainda sejam escassos os estudos com gestantes de países em desenvolvimento.
O American College of Sports Medicine, em conjunto ao American Dietetic Association e Dietitians of Canada, consideram que as necessidades nutricionais serão sempre individuais, estando diretamente relacionadas às condições de saúde/nutrição e ao tipo de atividade desenvolvida durante a gestação.


Condições físicas e funcionais da gestante durante a atividade física

Os benefícios da prática de atividades físicas durante a gestação são diversos e atingem diferentes áreas do organismo materno. O exercício reduz e previne as lombalgias, devido à orientação da postura correta da gestante frente à hiperlordose que comumente surge durante a gestação, em função da expansão do útero na cavidade abdominal e o conseqüente desvio do centro gravitacional.


Nestes casos, o exercício físico contribuirá para adaptação de nova postura física, refletindo-se em maior habilidade para a gestante durante a prática da atividade física e do trabalho diário. Na ocorrência de dores nas mãos e membros inferiores, que geralmente acontece por volta do terceiro trimestre, frente a diminuição da flexibilidade nas juntas, a prática da atividade física regular direcionada durante a gestação terá o efeito de minimizá-las, possivelmente, por promover menor retenção de líquidos no tecido conectivo.

Sabe-se que a atividade cardiovascular durante a gestação se eleva comparada ao período não gestacional. No entanto, com a prática regular de exercícios físicos reduz-se esse estresse cardiovascular, o que se reflete, especialmente, em freqüências cardíacas mais baixas, maior volume sangüíneo em circulação, maior capacidade de oxigenação, menor pressão arterial, prevenção de trombose e varizes, e redução do risco de diabetes gestacional.
Em gestantes que apresentam diabetes gestacional, a atividade física pode contribuir para manter os níveis glicêmicos normais. Essa patologia ocorre, de modo geral, na fase tardia da gestação. Todavia, parece que o excesso de peso corporal pode ser um elemento contrário aos benefícios da atividade física para a gestante. Segundo Dye et al., que estudaram a prática da atividade física durante a gestação como forma de prevenção de diabetes gestacional, somente depois de controlado o efeito do Índice de Massa Corporal (IMC), foi encontrada associação entre a prática de atividade física e o não surgimento de diabetes gestacional (odds ratio = 1,9). Os autores concluíram que o peso expresso através do IMC foi determinante para o surgimento da patologia, especialmente quando o IMC superava 33kg/m2. Em gestantes que apresentaram diabetes gestacional e praticaram atividade física regular durante todo o período gestacional observou-se antecipação no trabalho de parto, quando comparadas com aquelas que interromperam a atividade ao final do segundo semestre.

A prática de atividade também trouxe benefícios para gestantes já portadoras de diabetes mellitus sob controle. Jovanik-Peterson e Peterson, ao estabelecerem um programa baseado na dieta e atividade
física para gestantes diabéticas, afirmaram que embora ainda seja controversa essa questão, evidências acumuladas na literatura têm demonstrado que sob controle dietético e de atividade física, os níveis glicêmicos podem ser mantidos normais, mesmo em gestantes já diabéticas. Os exercícios físicos praticados durante a gestação devem ser cuidadosamente observados para esse grupo de gestantes, especialmente na fase final, uma vez que têm efeito positivo no amadurecimento cervical e na atividade de contração uterina.

As vantagens da atividade física durante a gestação se estendem ainda, aos aspectos emocionais, contribuindo para que a gestante torne-se mais autoconfiante e satisfeita com a aparência, eleve a autoestima e apresente maior satisfação na prática dos exercícios.

Trabalho de parto e prematuridade

A literatura consultada abordou três aspectos principais na relação entre atividade física e trabalho de parto: risco de parto prematuro, facilidade do trabalho de parto com melhor recuperação pós-parto e redução do número de cesáreas.

Acreditava-se que a prática da atividade física durante a gestação pudesse estimular indiscriminadamente a contração uterina, promovendo a antecipação do trabalho de parto. Todavia, parece haver consenso de que a prática de atividade física monitorada durante a gestação não contribui para a prematuridade.

Sternfeld, consultando diversos estudos, argumentou que o efeito da estimulação da noradrenalina, que ocorre com a atividade física, pode ser neutralizado tanto com o aumento de catecolaminas nas gestantes, como através dos níveis de catecolaminas fetais que permanecem estáveis à estimulação da noradrenalina materna, protegendo o feto do excesso de atividade uterina.

Bishop et al., também são de opinião contrária ao efeito de prematuridade, acreditando que a atividade física regular fortalece a musculatura pélvica, sendo mais um fator a proporcionar nascimentos a termo. Para esse autores, a idade, paridade e aderência ao programa assistencial são fatores que desempenham papel decisivo no risco para partos prematuros.

Para Dye e Oldenettel, o monitoramento constante das condições físicas das gestantes durante o desenvolvimento das atividades físicas regulares, pode cumprir importante papel na determinação da
idade gestacional. Os autores basearam esta afirmativa em estudo epidemiológico de revisão de literatura desde 1990.
Bungum et al.26 estudando mulheres nulíparas, observaram que gestantes sedentárias apresentaram risco 4,5 vezes maior de nascimentos por cesárea do que as gestantes ativas fisicamente, quando controlada as variáveis idade, tipo de anestesia, alterações no IMC anterior à gravidez, trabalho de parto induzido, e o tipo de hospital de nascimento. Os resultados demonstraram que a participação em exercícios físicos, especialmente nos dois primeiros trimestres, esteve associada efetivamente ao menor risco de cesáreas.

Outros aspectos relacionados aos benefícios da atividade física sobre o trabalho de parto, referem-se às demais alterações endócrinas ocorridas durante a gravidez, que se refletem nas articulações e ligamentos pélvicos, promovendo maior flexibilidade.

O aumento de estrogênio contribui para o relaxamento muscular facilitando o parto, suavizando as cartilagens e elevando o fluído sinovial com resultados no alargamento das juntas, facilitando a passagem do feto. A atividade física durante a gestação diminui as dores do parto, contribuindo para que as gestantes fisicamente ativas tolerem melhor o trabalho de parto, principalmente os mais prolongados, do que aquelas não treinadas ou do que aquelas que se exercitavam apenas esporadicamente.

A associação do exercício físico durante a gestação e o aborto espontâneo, foi explicada no estudo de Latka et al.27 como conseqüência do tipo de exercício praticado, que apresentava características de intensidade moderada. À mesma conclusão chegou El-Metwalli et al., que através de caso-controle com 562 gestantes (casos) que tiveram aborto espontâneo e 1.762 gestantes (controles) com gestação à termo. Para os autores, não é a prática de atividade física regular que se associa à prematuridade, e sim a intensidade e o excesso de atividade, tanto em forma de exercícios físicos quanto de atividade ocupacional.

O estudo desenvolvido por Misra et al., com uma coorte randomizada de mulheres de baixa renda praticantes de atividade física, e grupo de comparação constituído por gestantes atuantes apenas em atividades ocupacionais domésticas, revelou que as gestantes não praticantes de atividade física apresentaram maior risco de redução do período gestacional (odds ratio =1,60), enquanto a prática de exercícios físicos presente no outro grupo de gestantes foi considerada fator de proteção. A World Health Organization (WHO) já alertou que grávidas trabalhando com levantamento freqüente de cargas pesadas, ou seja, em atividade ocupacional intensa, incrementam de 20 a 30% o risco de parto prematuro.

Atividade física e crescimento fetal

Os termos crescimento e desenvolvimento referem-se às mudanças que ocorrem no complexo fisiológico durante a concepção, a embriogênese e toda a vida fetal. O ambiente materno é decisivo para o crescimento e o desenvolvimento fetal, podendo influencia-los positiva ou negativamente. Dentre os principais fatores de risco que afetam o crescimento fetal destacam-se: primíparas com idade superior a 35 anos, gestante adolescente, baixa escolaridade e renda, história de problemas obstétricos, deficiência nutricional, patologias diversas e dependência química. Quanto aos efeitos de risco ou proteção da prática de atividade física durante a gestação sobre o crescimento fetal, existem controvérsias, encontrando-se relato de peso normal, baixo peso e aumento de peso.
Kardel e Kase analisando o desenvolvimento e o crescimento fetal de bebês nascidos de 42 gestantes saudáveis, subdivididas em dois grupos (intensidade alta e intensidade moderada), não encontraram qualquer diferença entre os grupos quanto ao peso de nascimento e a escala de Apgar. Os autores concluíram, que o estado de saúde e o bom condicionamento das gestantes podem ter desempenhado papel fundamental para este resultado.

No estudo de Hatch et al., não foram encontrados bebês macrossômicos, porém observou-se que as gestantes que se exercitaram durante todos os três trimestres da gestação, tenderam a ter bebês com peso maior do que aquelas que eram sedentárias ou as que iniciaram atividade física já no segundo ou no terceiro trimestre. Esse estudo de coorte incluiu 800 gestantes sob assistência pré-natal. Para a análise, os autores, subdividiram o grupo em três subgrupos: praticantes com intensidade leve/moderada, praticantes com intensidade alta e não praticantes de atividade física. Ajustando os dados por idade gestacional e peso ao nascer, o condicionamento físico anterior à gestação foi altamente relevante para o bom crescimento fetal, tendo em vista que o grupo de gestantes que praticaram exercícios de intensidade alta, apresentou aumento de peso fetal em torno de 300 gramas, enquanto aquelas que não praticaram atividade física, o aumento de peso foi próximo de 100 gramas.

Clapp et al.,33 em estudo experimental randomizado com gestantes não praticantes de atividade física, subdivididas em um grupo experimental (24 mulheres) com prática de exercícios de intensidade
moderada três a cinco vezes por semana, e um grupo de comparação (22 mulheres) desenvolvendo algum tipo de exercício recreacional, concluiram que, efetivamente, o exercício físico orientado durante toda a gestação, ou parte da mesma, pode contribuir tanto para o aumento do peso do feto, quanto para sua percentagem de gordura e circunferência craniana. Os autores observaram que para esses resultados destacaram-se outros fatores: a programação dos exercícios sob controle; a adequação dos exercícios às características morfométricas (medidas corporais) das gestantes e o aumento do consumo de diversos nutrientes no último trimestre gestacional.

Em estudo com 2.828 mulheres residentes em Missouri (Estados Unidos da América) que tiveram filhos de dezembro de 1989 a março de 1991,
Schramm et al., analisaram a relação entre prática de exercícios físicos e peso de nascimento. Os resultados apontaram que a prática de exercícios físicos pode ter desempenhado função protetora (odds ratio = 0,88), uma vez que estas mulheres tiveram filhos com peso igual ou superior a 2.500 gramas, dentre os 794 nascidos vivos, contra aquelas que não praticaram exercícios e tiveram filhos com peso inferior a 1.500 gramas, dentre os 782 nascidos vivos.O estudo excluiu 450 mulheres que tiveram fetos nascidos mortos. Esse resultado merece ser avaliado cuidadosamente tendo em vista que se trata de grande amostra e o intervalo de confiança do odds ratio incluiu a unidade.

Gottlieb destacou que as contradições nos resultados das pesquisas podem ser inerentes às metodologias empregadas, especialmente no que se refere ao tipo de estudo e ao grupo amostral. O autor apontou que, por vezes, as pesquisas não apresentaram grupo de comparação ou os grupos revelavam importantes distinções entre si, capazes de interferirem nos resultados.

Segundo Dye e Oldenettel,análises baseadas em grupos especiais, como atletas de elite, podem ocasionar erro na sua comparação com grupos de gestantes sedentárias. O cuidado com a metodologia e a análise estatística dos dados em estudos controlados, permitiria maior segurança nas conclusões da relação entre a prática da atividade física e a gestação.

Atividades físicas recomendadas durante a
gestação

Ainda não existem recomendações padronizadas de atividade física durante a gestação. No entanto, frente à ausência de complicações obstétricas, o American College of Obstetricians and Gynecologists, recomendou que a atividade física desenvolvida durante a gestação, tenha por características exercícios de intensidade regular e moderada, com o programa voltado para o período gestacional em que se encontra a mulher, com as atividades centradas nas condições de saúde da gestante, na experiência em praticar exercícios físicos e na demonstração de interesse e necessidade da mesma.

Alguns tipos de atividades físicas como exercícios leves na água, caminhada e bicicleta, já vêm se destacando como prática de atividade física durante o período gestacional. Para Katz,37 a natação é a mais recomendada para a gestante, devido à propriedade
inerente do corpo na água, isto é, a flutuabilidade.

A atividade física na água é benéfica para os joelhos e geralmente é mais relaxante que outros tipos de exercícios, especialmente os exercícios de força como a musculação. A natação, reduz ainda a freqüência de edema que é um efeito comum na gestação, porém desconfortável. O efeito da água fria sobre o corpo serve também como termorregulador, proporcionando ao feto a possibilidade de maior estabilidade frente à elevação de temperatura e a subsequente
diminuição do suprimento de sangue. A temperatura ideal da água deve ficar entre 28ºC e 30ºC.

Atividades físicas não recomendadas durante a gestação

Alguns exercícios físicos merecem recomendações especiais sobre o desenvolvimento de sua prática ou contra-indicação neste período. A intensidade do exercício deve ser monitorada de acordo com os sintomas que a gestante apresentar. Esta intensidade se revela através da demanda sobre o sistema cardiovascular.

A relação a seguir apresenta alguns tipos de exercícios físicos e/ou situações não recomendadas para a prática durante o período gestacional:

a) qualquer atividade competitiva, artes marciais ou levantamento de peso (por competição, não é musculação);
b) exercícios com movimentos repentinos ou de saltos, que podem levar a lesão articular;
c) flexão ou extensão profunda deve ser evitada pois os tecidos conjuntivos já apresentam frouxidão; exercícios exaustivos e/ou que necessitam de equilíbrio principalmente no terceiro trimestre;
d) basquetebol e qualquer outro tipo de jogo com bolas que possam causar trauma abdominal;
e) pratica de mergulho (condições hiperbáricas levam a risco de embolia fetal quando ocorre a descompressão;
f) qualquer tipo de ginástica aeróbica, corrida ou atividades em elevada altitude são contraindicadas ou, excepcionalmente aceitas com limitações, dependendo das condições físicas da gestante;
g) exercícios na posição supino após o terceiro trimestre podem resultar em obstrução do retorno venoso.

Contra-indicações de saúde para prática de atividade física durante a gestação

Alguns sinais ou sintomas representam sinal de perigo de complicações na gestação durante a prática de atividade física e indicam que o exercício deve ser imediatamente interrompido por constituirem grande risco para a saúde tanto da gestante e quanto do feto.

Os principais sinais de que a atividade física deve cessar são: perda de líquido aminiótico, dor no peito, sangramento vaginal, enxaqueca, dispnéia, edema, dor nas costas, náuseas, dor abdominal, contrações uterinas, fraquezas musculares e tontura, redução
dos movimentos do feto.

Mulheres fumantes têm contra-indicação na prática de atividade física em altitudes acima de 2.500m. A presença de náuseas, sonolência e desconforto, podem sugerir que o tipo, intensidade, duração e/ou freqüência da atividade física para a gestante devam ser modificados, sem que seja necessário interrompe-la. A própria prática de atividade física durante a gestação possibilita a ocorrência de fenômenos que devem alertar os especialistas para uma eventual interrupção dos exercícios. Tais sinais correspondem a: dor de qualquer tipo, injúrias musculo-esqueléticas; complicações cardiovasculares; trabalho de parto prematuro; aumento do risco
de aborto no primeiro trimestre da gestação e grave hipoglicemia, indicando, igualmente, a interrupção do exercício.

A atividade física para gestantes apresenta contraindicação absoluta em mulheres portadoras de: doença cardíaca com alterações hemodinâmicas significativas, doença pulmonar restritiva, multípara com risco de prematuridade, placenta prévia depois de 26 semanas de gestação, ruptura de membranas, sangramento uterino persistente no segundo ou terceiro trimestre, cervix incompetente e pré-eclâmpsia.

Considera-se como contra-indicação relativa à prática de exercícios aeróbicos durante a gestação, a presença das seguintes patologias: anemia, arritmia cardíaca materna, diabetes Mellitus tipo I não controlada, bronquite crônica, obesidade mórbida, baixo peso com Índice de Massa Corporal inferior a 12, estilo de vida extremamente sedentário, retardo no crescimento intra-uterino na gestação atual, hipertensão mal controlada, limitações ortopédicas, tabagismo e hipertireoidismo não controlado.

Conclusões

Embora já se reconheça a contribuição da prática da atividade física regular e orientada durante a gestação, ainda não existe consenso no estabelecimento da conduta ideal para essa prática. Não se encontrou na literatura revista, qualquer tipo de padronização
de atividade recomendada por órgãos especializados.

Cada autor estabeleceu o tipo de atividade de interesse no estudo, sua duração, intensidade e freqüência, dificultando assim a comparação dos resultados encontrados nos diferentes artigos. Todavia, tendo por base a revisão, concluiu-se que quando indicada, a prática de atividade física regular, moderada, controlada e orientada pode produzir efeitos benéficos sobre a saúde da gestante e do feto.

Fonte: Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 3 (2): 151-158, abr. / jun., 2003

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

LOMBALGIA NA GESTAÇÃO (Dor lombar)







Olá galera...


Como estou convivendo com VÁÁÁÁRIIIIIIAAAAAAAASSSSSSS Grávidas, aí vai mais um artigo científico sobre o assunto...

Bom findi!!!!

Bjos...


Analisou-se qualitativamente o conteúdo das publicações científicas nacionais e internacionais indexadas, no período de 1999 a 2005, que tratavam de lombalgia na gestação. Cerca de 50% das gestantes queixam-sede lombalgia. As modificações fisiológicas que ocorrem na gravidez alteram a postura e a maior incidência de dor lombar ocorre nos últimos três meses.

Não se conhecem causas específicas, entretanto, o tratamento é feito com analgésicos, anti-inflamatórios, exercícios e fisioterapia. A lombalgia durante a gestação é um sintoma que causa um grande incômodo e, dependendo do nível de dor, gera certo grau de incapacidade motora, prejudicando as atividades diárias, além de causar preocupação com o cuidado do bebê após seu nascimento.

Alguns desconfortos da lombalgia podem permanecer por um período de até três anos após o parto. Sendo assim, conclui-se que há necessidade de maiores pesquisas nessa área, a fim de proporcionar uma melhor qualidade de vida para as gestantes.

INTRODUÇÃO

O interesse sobre a lombalgia na gestação surge devido a esse sintoma ocorrer em pelo menos 50% das gestantes, em nível de população mundial. A lombalgia é conceituada como um sintoma que afeta a área entre a parte mais baixa do dorso e a prega glútea, podendo irradiar-se para os membros inferiores.

A lombalgia pode apresentar-se de três formas: dor na coluna lombar, dor no quadril e dor combinada. Ainda não foi identificada a causa específica desse desconforto, que, muitas vezes, dependendo do nível de dor, causa graus variados de incapacidade motora. O seu tratamento restringe-se ao alívio de
sintomas por falta de pesquisas direcionadas a esse tema.

OBJETIVOS

Analisar o conteúdo das publicações científicas nacionais e internacionais indexadas no período de 1999 a 2005 que tratem de lombalgia na gestação e
verificar quais pesquisas estão sendo realizadas nessa área.

MATERIAL E MÉTODO

Trata-se de um estudo descritivo com análise qualitativa dos aspectos da lombalgia na gestação.

Foram incluídos artigos indexados no período de 1999 a 2005, também, além dos periódicos selecionados, 2 livros com uma melhor explanação sobre o assunto.
Dentre as publicações, foram selecionadas somente as de língua portuguesa e inglesa, artigos que incluíssem revisões bibliográficas, tratamentos ou pesquisas experimentais. Dessa forma foram identificados 21 artigos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Durante a gestação, ocorrem inúmeras mudanças no corpo da mulher: hormonais e biomecânicas. Na gestação, acontece uma seqüência de mudanças no corpo da mulher, seu útero está em constante crescimento, formando um abdômen protruso. Há o deslocamento de seu centro de gravidade, além da liberação de hormônios, como estrógeno e relaxina, que ocasionam um crescente afrouxamento dos ligamentos. Todas essas modificações causam uma lordose exagerada, fazendo com que ela sobrecarregue os músculos lombares e posteriores da coxa, gerando um processo doloroso.

Na gravidez, há a necessidade de a mulher adaptar sua postura para compensar a mudança de seu centro de gravidade. Como uma mulher faz isso será individual e dependerá de muitos fatores, por exemplo, força muscular, extensão da articulação, fadiga e modelos de posição. Apesar de ser individual para cada mulher, a maioria tem as curvas lombares e torácicas aumentadas.

Segundo algumas autoras, a causa da lombalgia na gestação é multifatorial, pois a própria gravidez contribui para o quadro doloroso da lombalgia.

Os fatos de os sintomas relativos à gravidez estarem associados podem explicar a tentativa de compensação de curvaturas da coluna vertebral para a manutenção do equilíbrio corporal. O centro de gravidade vai se modificando com o avançar da
gestação, e a região lombar acentua sua curvatura com o crescimento uterino frontal.

Atribui-se como suposta causa da lombalgia o hormônio relaxina, provocando o relaxamento das juntas e tornando o quadril mais instável.

A lombalgia é uma queixa comum na gravidez e já é algo esperado pelos médicos, sendo considerada apenas mais um desconforto. Entretanto, ela pode causar incapacidade motora, insônia, depressão, que impedem a gestante de levar uma vida normal.

Os gastos anuais devido aos afastamentos do trabalho de gestantes com lombalgia nos EUA chegam a $13 bilhões, tornando necessário um trabalho preventivo desse problema, devido às restrições que causam à vida dessas mulheres. A dor lombar é um sintoma, porém causa importante limitação nas atividades diárias.

Em outros estudos sobre lombalgia que não estejam diretamente voltados para os gastos com a saúde, é comum relacionarem os gastos públicos com o afastamento das gestantes. Este é um dos fatores que impulsionam a necessidade de tratamentos adequados para a dor lombar durante a gravidez.

Considerando-se que “o bem-estar físico relaciona-se à ausência ou a mínimos graus de doença, incapacidade ou desconfortos, em especial, relacionados ao sistema músculo-esquelético”, o alívio da lombalgia deve ser preocupação dos
profissionais de saúde na assistência pré-natal. De fato, a lombalgia pode ser um sintoma, porém em graus maiores causa incapacidades, devendo ser considerada como doença e tratada.

A dor é um sintoma no qual o estado de humor é um fator importante para modificar a sensação de dor. Sendo assim, devido ao estado de humor alterado
em pacientes com depressão, por exemplo, a sensação de dor torna-se mais comum.

Publicações recentes relatam que 70% de todas as grávidas têm algum tipo de dor lombar e que 20% dessas mulheres permanecem com fatores residuais do problema, semanas após o parto.

Num estudo recente no Brasil, na cidade de Paulínia-SP, foi aplicado um questionário a 203 gestantes em uma Unidade Básica de Saúde, sobre a prevalência de algias na coluna vertebral durante a gravidez. Aproximadamente 80% relataram dores na coluna vertebral e pelve, sendo que 51% das gestantes
com idade gestacional entre 34 e 37 semanas apresentaram dor que interferia significativamente em suas habilidades físicas e qualidade de vida.

Outro estudo analisou a interferência da lombalgia após o parto nas atividades cotidianas. As mulheres localizavam a dor e, por meio de escala, avaliavam sua intensidade. Por meio de 12 itens referentes a exercícios físicos em atividades normais, foram analisadas as habilidades permitidas, verificando-se quais eram as atividades em que elas estavam limitadas, devido à dor nas costas. Esse estudo concluiu que a lombalgia causava importantes limitações nas atividades diárias dessas mulheres e que, além de medidas preventivas, é necessário tratamento adequado.

Alguns trabalhos têm demonstrado que mulheres com uma condição física melhor apresentam menos chances de desenvolver lombalgia durante gestação. A importância da aquisição de novos hábitos posturais, a realização de exercícios terapêuticos e técnicas de relaxamento proporcionam uma melhor preservação da musculatura. Dois estudos mostram claramente a melhora da dor na região lombar e mesmo a prevenção desta, antes e durante a gestação, na manutenção de uma atividade física regular.

Dois estudos mostram claramente a melhora da dor na região lombar e mesmo a sua prevenção antes e durante a gestação, mantendo uma atividade regular.

Nos artigos analisados, verificamos que os tratamentos visam aliviar a dor, fazendo-se freqüente o uso de analgésicos e anti-inflamatórios. Fica claro que uma atividade física regular com intensidade moderada é benéfica à saúde da
gestante, podendo não só melhorar a lombalgia, como proporcionar mais disposição para as atividades normais.

Além dessas medidas, o uso de um tipo de cinta utilizado em mulheres grávidas com lombalgia ajuda a aliviar as dores lombares, auxiliando na sustentação do abdômen da gestante.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Existem a respeito da lombalgia na gestação várias causas prováveis:

- Aumento do peso do útero;
- Aumento da lordose;
- Alteração do centro de gravidade e conseqüentemente da postura;
- Frouxidão da musculatura;
- Mudanças hormonais, mecânicas e vasculares.

Podemos notar que a própria gravidez induz para um quadro de lombalgia, decorrente de alterações multifatoriais.

A lombalgia pode causar:
- Afastamento do trabalho;
- Inabilidade motora;
- Insônia;
- Desconforto;
- Depressão.
Dependendo do nível de dor lombar sentida durante a gestação, são inúmeras as alterações que ocorrem na vida da mulher. Além de seu incômodo durante a gestação, ela pode perdurar alguns anos após o parto.

Como tratamentos mais comuns são utilizados:
- Analgésicos;
- Anti-inflamatórios;
- Fisioterapia (exercícios de alongamento).

Há necessidade de se fazer um trabalho de prevenção, pois pode auxiliar na diminuição da probabilidade de mulheres com esse desconforto, além de redução nos gastos com a saúde. Hábitos saudáveis na vida diária, antes e durante a gestação, causam um grande bem-estar, além de ser menos provável adquirir lombalgia na gravidez. Frente a isso, recomendam-se:

- Bons hábitos posturais;
- Adequação dos ambientes de trabalho, com orientação ergonômica;
- Dormir pelo menos 8 horas por dia, em colchão confortável;
- Não fumar;
- Não beber;
- Praticar exercícios.

Por serem multifatoriais as causas da lombalgia na gravidez, qualquer tratamento deve ser acompanhado dessas mesmas práticas.

Dependendo do grau de dor na região lombar, durante a gestação, são inúmeras as alterações que podem ocorrer na vida dessas mulheres. Além desse incômodo, durante a gestação, ela pode perdurar alguns anos após o parto quando não tratada.

Apesar disso, ainda são poucos os tratamentos para lombalgia disponíveis durante a gestação, principalmente em relação ao fortalecimento da musculatura para a melhora do quadro. Portanto, a prevenção iniciada antes da gravidez deve incluir a prática de exercícios que fortaleçam a musculatura dorsal e abdominal.

A mulher que vivencia esse problema, deve ter sua queixa valorizada pelo médico ou enfermeiro, por ocasião das consultas pré-natais. A escuta atenta e uma relação profissional-cliente que estabeleça confiança são os primeiros passos para o tratamento do problema. Ao enfermeiro cabem as orientações quanto aos hábitos de vida a serem mudados; ao médico, o tratamento medicamentoso, e ao
fisioterapeuta ou profissional de educação física, a orientação sobre os exercícios adequados e técnicas de relaxamento.

O tratamento da lombalgia é factível. A equipe multiprofissional, atuando conjuntamente, poderá trazer resultados ainda mais eficientes no seu tratamento. Para isso, é necessário desenvolver pesquisas relativas a esse problema que acomete tantas mulheres na sociedade atual.



Fonte: Novaes FS, Shimo AKK, Lopes MHBM. Lombalgia na gestação. Rev Latino-am Enfermagem 2006 julho-agosto; 14(4):620-4.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Gravidez e Exercício



Alterações provocadas pela gravidez no
aparelho locomotor

Praticamente todas as mulheres grávidas experimentam
algum desconforto musculoesquelético durante a gravidez.
Estima-se que cerca de 25% delas apresentem ao menos
sintomas temporários.
As mulheres grávidas apresentam um risco aumentado de
queixas musculoesqueléticas, principalmente lombalgia. A
mudança do centro de gravidade, a rotação anterior da pelve,
o aumento da lordose lombar e o aumento da elasticidade
ligamentar são os principais responsáveis pelos sintomas. Já
foi demonstrado que um programa de exercícios executado
três vezes por semana durante a segunda metade da gravidez parece colaborar na redução da intensidade das dores lombares, aumentando também a flexibilidade da coluna.


Benefícios do exercício na gravidez
As mulheres sedentárias apresentam um considerável declínio do condicionamento físico durante a gravidez. Além disto, a falta de atividade física regular é um dos fatores associados a uma susceptibilidade maior a doenças durante e após a gestação.
Há um consenso geral na literatura científica de que a manutenção de exercícios de intensidade moderada durante uma gravidez não-complicada proporciona inúmeros benefícios para a saúde da mulher.
Apesar de ainda existirem poucos estudos nesta área, exercícios resistidos de intensidade leve a moderada podem promover melhora na resistência e flexibilidade muscular, sem aumento no risco de lesões, complicações na gestação ou relativas ao peso do feto ao nascer. Conseqüentemente, a mulher passa a suportar melhor o aumento de peso e atenua as alterações posturais decorrentes desse período.
A atividade física aeróbia auxilia de forma significativa no controle do peso e na manutenção do condicionamento, além de reduzir riscos de diabetes gestacional, condição que afeta 5% das gestantes. A ativação dos grandes grupos musculares propicia uma melhor utilização da glicose e
aumenta simultaneamente a sensibilidade à insulina.
Os estudos também mostram que a manutenção da prática regular de exercícios físicos ou esporte apresenta fatores protetores sobre a saúde mental e emocional da mulher durante e depois da gravidez. Além disso, existem dados sugestivos de que a prática de exercício físico durante a gravidez exerce proteção contra a depressão puerperal.
Na literatura há alguns estudos envolvendo exercícios para a musculatura pélvica durante a gravidez. Eles são unânimes em afirmar os benefícios deste tipo específico de exercício
como forma de prevenção à incontinência urinária associada à gravidez.

Riscos para o feto
A prática de exercícios acarreta riscos potenciais para o feto em situações em que a intensidade do exercício seja muito alta, criando um estado de hipóxia para o feto, em situações em que haja risco de trauma abdominal e em situações de hipertermia da gestante. Esses fatores podem gerar estresse fetal, restrição de crescimento intra-uterino e prematuridade.
Há algumas evidências de que a participação em exercícios de intensidade moderada ao longo da gravidez possa aumentar o peso do bebê ao nascer, enquanto que exercícios mais intensos
e com grande freqüência, mantidos por longos períodos da gravidez, possam resultar em crianças com baixo peso.
Alguns estudos experimentais com animais demonstraram que temperaturas corporais acima de 39°C podem resultar em defeitos de fechamento do tubo neural, que deve ocorrer normalmente por volta do 25o dia após a concepção. Embora esse risco não tenha sido confirmado em humanos, sugere-se evitar sempre situações que resultem em hipertermia materna durante o primeiro trimestre de gravidez.
Durante o período de amamentação, desde que a ingesta calórica e hídrica da mãe se mantenha normal, os exercícios leves a moderados não afetam a quantidade ou a composição do leite, e por isso não exercem qualquer impacto sobre o crescimento do lactente.

Contra-indicações de exercício durante a gravidez
O exercício regular é contra-indicado em mulheres com as seguintes complicações:

Contra-indicações absolutas
Doença miocárdica descompensada
Insuficiência cardíaca congestiva
Tromboflebite
Embolia pulmonar recente
Doença infecciosa aguda
Risco de parto prematuro
Sangramento uterino
Isoimunização grave
Doença hipertensiva descompensada
Suspeita de estresse fetal
Paciente sem acompanhamento pré-natal

Contra-indicações relativas
Hipertensão essencial
Anemia
Doenças tireoidianas
Diabetes mellitus descompensado
Obesidade mórbida
Histórico de sedentarismo extremo


Prescrição dos exercícios
Todas as mulheres que não apresentam contra-indicações devem ser incentivadas a realizar atividades aeróbias, de resistência muscular e alongamento. As mulheres devem escolher atividades que apresentem pouco risco de perda de equilíbrio e de traumas. O trauma direto ao feto é raro, mas é prudente evitar esportes de contato ou com alto risco de colisão.
Deve-se tomar o cuidado de não se exercitar vigorosamente em climas muito quentes e de prover a hidratação adequada, de modo a não prejudicar a termorregulação da mãe.
Com base em pesquisas na área de exercício e gravidez, o Sports Medicine Australia elaborou as seguintes recomendações:
- em grávidas já ativas, manter os exercícios aeróbios em intensidade moderada durante a gravidez;
- evitar treinos em freqüência cardíaca acima de 140 bpm. Exercitar-se três a quatro vezes por semana por 20 a 30 minutos. Em atletas é possível exercitar-se em intensidade mais alta com segurança;
- os exercícios resistidos também devem ser moderados. Evitar as contrações isométricas máximas;
- evitar exercícios na posição supina;
- evitar exercícios em ambientes quentes e piscinas muito aquecidas;
- desde que se consuma uma quantidade adequada de calorias, exercício e amamentação são compatíveis;
- interromper imediatamente a prática esportiva se surgirem sintomas como dor abdominal, cólicas, sangramento vaginal, tontura, náusea ou vômito, palpitações e distúrbios visuais;
- não existe nenhum tipo específico de exercício que deva ser recomendado durante a gravidez. A grávida que já se exercita deve manter a prática da mesma atividade física que executava antes da gravidez, desde que os cuidados acima sejam respeitados.

FONTE: Rev Bras Reumatol, v. 45, n. 3, p. 188-90, mai./jun., 2005
Trabalho realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Recebido em 15/02/2005. Aprovado, após
revisão, em 29/04/2005.