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quinta-feira, 30 de julho de 2009

O bronzeamento artificial e o câncer




A OMS, Organização Mundial da Saúde, faz um alerta: as camas e lâmpadas ultravioleta de bronzeamento artificial são tão cancerígenas quanto o cigarro.


A Agência Internacional de Pesquisas do Câncer anteriormente classificava esses aparelhos como “prováveis cancerígenos”. O estudo elevou os equipamentos ao nível mais alto de cancerígenos, o grupo 1, ao lado do gás mostarda, por exemplo.


Em comunicado na revista The Lancet Oncology, Fatiha El Ghissassi escreveu: “vários estudos fornecem suficiente e consistente evidência de uma associação positiva entre o uso de luz ultravioleta e o melanoma ocular, câncer de pele que ataca a pálpebra.”


Fonte: Revista Sport Life - 29.07.09

domingo, 26 de julho de 2009

Esteróides anabolizantes versus perfeição corporal: quanto custa à saúde?



Perfeição corporal

Com a evolução das mídias, a imagem passou a ser supervalorizada, tendo como carro-chefe o cinema que faz da estética como algo primordial. No entanto, os padrões estéticos corporais variam de acordo com as características culturais de cada povo, além de sofrerem modificações no decorrer das gerações. Na verdade, eles desejam realização pessoal, e des­locam este anseio para o culto ao cor­po e a perfeição corporal. A importância que a sociedade demonstra em relação à aparência física é notória na atualidade. Isso pode ser demonstrado, em parte, pela grande presença das matérias relacionadas à saúde, alimentação e exercício físico em qualquer veículo de comunicação (ASSUNÇÃO, 2002).

Ao iniciar qualquer programa de treinamento o indivíduo deve se submeter a uma avaliação, essencial para o planejamento adequado do treino. Muitos têm a saúde como motivador principal, outros a prevenção ou reabilitação de lesões. Porém, a maioria expressa que seu maior objetivo é o estético.

Entre as respostas, invariavelmente aparecem expressões como: "melhora do tônus muscular", "perda da flacidez", "aumento da massa muscular", "perda de gordura corporal", "definição", entre outras. Estas respostas refletem o desejo de tornar o corpo mais atraente aos próprios olhos e às opiniões alheias, atingindo padrões estéticos apresentados pela mídia e por conseqüência, pela maioria das pessoas (TRINDADE, 2005).

Do ponto de vista psiquiátrico, observamos vários transtornos relacionados a esta obsessão por um corpo escultural. Pessoas muito deprimidas e ob­sessivas que, de forma rigorosa, cen­tralizam suas vidas em torno da ques­tão da imagem e acabam tendo uma distorção da avaliação da imagem do seu próprio corpo. Algumas tentam controlar o peso com restrição alimen­tar e desenvolvem quadros de anore­xia nervosa, outras, por não conseguirem suportar longos pe­ríodos de fome e jejum, cedem à com­pulsão alimentar e expulsam a culpa com vômitos – transtorno denomina­do bulimia.

Ao contrário das mulheres que procuram tornarem-se magras, indivíduos do sexo masculino preocupam-se em se tornarem cada vez mais fortes e musculosos. A dismorfia muscular, quadro associado à distorção de imagem corporal em homens, parece ser uma resposta equivalente àquela feminina em se adequar ao padrão corporal ideal, descrito e apreciado socialmente. Este sintoma está relacionado a padrões de alimentação específicos, geralmente compostos de dieta hiperprotéica além de inúmeros suplementos alimentares a base de aminoácidos ou substâncias para aumentar o rendimento físico. A atividade física pode ser realizada de forma excessiva, inclusive causando prejuízos nos funcionamentos social, ocupacional e recreativo do indivíduo, chegando a ocupar de 4 a 5 horas por dia. . Os possíveis ganhos musculares são checados exaustivamente chegando a 13 vezes ao dia (ASSUNÇÃO, 2002).

No mundo do esporte culturista, a definição corporal é representada por um corpo com muito pouca gordura aparente, fundamental para a visualização dos planos musculares (TRINDADE, 2005).

O aumento dos músculos e a sua manutenção tornam-se uma obsessão para os fisiculturistas, que competem entre si, comparando suas medidas de braços e pernas e passando a não poupar esforços para atingir um corpo ideal.

Um indivíduo com dismorfia muscular envolve uma preocupação de não ser suficientemente forte e musculoso em todas as partes do corpo (ASSUNÇÃO, 2002).

Em função dessa obsessão pela busca do corpo escultural, o indivíduo acaba buscando métodos, substâncias e/ou equipamentos que promovam ganhos além dos propiciados pelo treinamento. Algumas destas substâncias são conhecidas como hormônios esteróides e outros com propriedades anabolizantes.


Anabolizantes
O desejo do homem de se superar, tentando ser mais forte e mais potente, sem respeitar os limites vem desde tempos remotos.

No ano de 1935, a testosterona foi sintetizada, pela primeira vez, por Ruzica e Weltstein e, em 1939, Boje sugeriu que os hormônios sexuais poderiam aumentar o desempenho atlético. No final dos anos 40 e no início dos anos 50, culturistas da Costa Oeste dos Estados Unidos começaram a experimentar preparados de testosterona. Todavia, o registro histórico do uso de hormônios sexuais no aumento do desempenho em campeonatos mundiais é datado de 1954, quando foram utilizados por atletas russos durante o Campeonato Mundial de Levantamento de Peso, em Viena, na Áustria (SILVA, et al, 2002).


Devido a razões de ordem ética e aos efeitos nocivos à saúde, essas substâncias tiveram o uso proibido pelo COI a partir de 1976, na Olimpíada de Montreal, onde foi realizado pela primeira vez o controle de anabolizantes. Seis atletas foram punidos pelo uso indevido (MARQUES, et al, 2003).

A busca de formas alternativas para alcançar vitórias (no esporte) ou um corpo ideal, leva ao indivíduo à procura por métodos, substâncias e equipamentos que promovam ganhos, levando-os a consumir hormônios esteróides e outros com propriedades anabolizantes.

Indivíduos fisicamente ativos têm consumido os mais diversos tipos de suplementos alimentares, na tentativa de superar marcas, recordes, ou até mesmo ultrapassar os seus próprios limites, colocando em risco a integridade física (ALVES, M. C. S. et al, s/a).

Os esteróides anabolizantes androgênicos (EAA) são hormônios esteróides criados por modificações na molécula de testosterona, portanto são quase idênticos aos hormônios sexuais masculinos (BACURAU, 2001). A testosterona é o hormônio esteróide androgênico mais importante produzido pelas células de Leydig nos testículos e no córtex adrenal. Já nas mulheres, é produzido em pequena quantidade pelos ovários. Os esteróides anabolizantes ou esteróides anabólico-androgênicos (EAA) são promotores e mantenedores das características sexuais associadas à masculinidade (incluindo o trato genital, as características sexuais secundárias e a fertilidade) e do status anabólico dos tecidos somáticos (SILVA, P. R. P. et al, 2002).

Os EAA são utilizados ilicitamente por indivíduos, atletas ou não, com o objetivo de aumentar a força muscular ou melhorar a aparência. Seus usuários acreditam que estas drogas proporcionam sessões de atividade física mais intensa por retardar a fadiga, aumentar a motivação e a resistência, estimular a agressividade e diminuir o tempo necessário para a recuperação entre as sessões de exercício. Além disso, os esteróides anabolizantes teriam ação direta no crescimento do tecido muscular (ASSUNÇÃO, 2002).

Os usuários de EAA acreditam que estas drogas são diferentes quanto a sua ação e então combinam múltiplas preparações de esteróides na forma oral ou injetável, visando maiores efeitos. Essa prática recebe o nome de combinação ou acúmulo. Eles também aumentam progressivamente a dose das drogas utilizadas durante períodos (ciclos) de 6 a 12 semanas denominando esta prática de pirâmide.

Na gíria popular, os anabolizantes são vulgarmente conhecidos pelo nome de "bomba" (em referência ao efeito de inchaço muscular por eles produzido), e é também comum que fisiculturistas sejam chamados pejorativamente de "bombados" (IRIART & ANDRADE, 2002).

A posição do Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM) é de que os EAA, na presença de um treinamento de hipertrofia e de uma dieta adequada, podem contribuir para aumentos no peso corporal, frequentemente no compartimento magro (BACURAU, R. F. et al, 2001).

O culto ao corpo musculoso, que estimula a competição entre os freqüentadores da academia pela escolha do mais forte, do que tem os músculos mais bem definidos ou de quem tem o corpo que atrai mais atenção nas ruas, contribui para o aumento do consumo de anabolizantes.


O uso terapêutico dos esteróides anabolizantes

Desde tempos remotos que os esteróides anabolizantes são usados com fins terapêuticos.

No término da 2a Guerra Mundial, os androgênios eram utilizados no tratamento de pacientes em condições terminais ligadas à debilidade crônica, bem como no traumatismo, em queimaduras, na depressão e na recuperação de grandes cirurgias. No entanto, somente na década de 50, os EAA tiveram maior aceitação para uso médico (SILVA, 2002).

Os esteróides anabolizantes quando utilizados de forma correta e na dosagem terapêutica recomendada, pode vir contribuir com excelentes resultados no tratamento de inúmeras patologias. A dosagem terapêutica é aquela recomendada para produzir resposta farmacológica em condições clínicas bem definidas (SANTOS, 2007).

Atualmente, os EAA têm sido administrados no tratamento das deficiências androgênicas: hipogonadismo, puberdade e crescimento retardados, micropênis neonatal, deficiência androgênica parcial em homens idosos, deficiência androgênica secundária a doenças crônicas, e na contracepção hormonal masculina (AURIEMA, 2008).

A terapia androgênica pode, também, ser utilizada no tratamento da osteoporose, da anemia causada por falhas na medula óssea ou nos rins, do câncer de mama avançado, em garotos com estatura exagerada, e até mesmo em situações especiais da obesidade. Há relatos de uso de esteróides anabólicos em baixas doses por via transdérmica no tratamento de doenças cardiovasculares, tendo efeitos antiaterogênicos e como agentes antianginosos (SILVA, 2002).

Os esteróides também têm sido utilizados no tratamento da sarcopenia relacionada ao HIV e em pacientes que apresentam fadiga muscular pela doença renal crônica submetidos à diálise, da sarcopenia associada à cirrose alcoólica, à doença obstrutiva pulmonar crônica (DPOC), e da sarcopenia em pacientes com queimaduras graves. Recentemente, foi demonstrado que a utilização dos esteróides anabolizantes acelerou o crescimento linear e teve alguns efeitos benéficos no retardo da fraqueza em pacientes com distrofia muscular de Duchenne (AURIEMA, 2008).

Efeitos adversos causados pelos EAA

O fato de nunca ter percebido sintomas mais graves e de conhecer pessoas que consomem altas doses de esteróides sem apresentar sintomas visíveis, leva o indivíduo a acreditar que problemas de saúde jamais acontecerão com ele. Entretanto alguns destes efeitos colaterais podem aparecer de forma leve, outros podem ser temporários ou em até mesmo irreversíveis.

O abuso de esteróides causa virilização grave em mulheres, nos homens, diminuição temporária dos testículos e esterilidade. Além disso, essas drogas estão associadas às doenças hepáticas, inclusive câncer, alterações desfavoráveis do colesterol sangüíneo e muitos outros distúrbios, entre eles, perturbações psicológicas imprevisíveis (LAMB,1996).

O uso dos esteróides de forma injetável pode vir transmitir doenças contagiosas pelos vírus das Hepatites B e C, além de infecção pelo HIV por motivos de compartilharem seringas contaminadas.

Registros em literaturas relatam que embora seja difícil comprovar a relação causal do uso de anabolizantes e infarto agudo do miocárdio, fatores de risco como dislipidemia, alteração nos fatores da coagulação e hipertrofia do miocárdio relacionado ao uso desses produtos (IRIART & ANDRADE, 2002).

Nos homens, os efeitos podem causar ginecomastia (desenvolvimento excessivo das glândulas mamárias), carcinoma prostático, alteração do perfil tireóideo, alteração do metabolismo glicídico (LISE, et al, 1999).

Os sintomas mais simples e temporários tais como cefaléia, náuseas, tonturas, irritabilidade, acne, febre e aumento dos pêlos corpóreos, inicialmente passam despercebidos, porém, com o tempo, passam a ser notados pelos usuários de anabolizantes como normais.

Alguns dos efeitos colaterais apresentados nos homens também aparecem nas mulheres, podendo ser adicionado de regressão das mamas, aumento do clitóris, crescimento de pelos na face, engrossamento da voz. Alguns destes efeitos masculinizantes são permanentes, não desaparecendo mesmo depois da interrupção do uso (BACURAU, 2001).

O uso contínuo e em doses abusivas de esteróides anabolizantes podem levar o indivíduo a óbito por infarto cardíaco, trombose cerebral, hemorragia hepática, sangramento de varizes no esôfago, metástase de tumores da próstata e do fígado, infecções por depressão da imunidade ou contaminação por medicamentos falsificados (SANTOS, 2007).

Alterações de enzimas hepáticas, icterícia, peliose hepática (cistos hepáticos com sangue) e tumores hepáticos estão associados com o uso de EAA. Tumores malignos e hemorragias por ruptura de um cisto podem levar à morte, mas as outras alterações, inclusive alguns dos tumores, são reversíveis (PELUSO, s/a).

A vaidade e a busca pela perfeição corporal também atingem indivíduos sexualmente imaturos (adolescentes). Isso se dá também pela cobrança da sociedade pelo “corpinho malhado” e pela fase de transição na faixa etária na ansiedade de tornarem-se indivíduos maduros (adultos). Entretanto, o uso de esteróides por adolescentes ”pode resultar no fechamento precoce das cartilagens de crescimento, resultando, conseqüentemente, numa estrutura fina menor” (BACURAU, 2001).

Segundo psiquiatras, o uso de EAA também pode causar efeitos colaterais psicológicos, de formas diferentes de acordo com a dose e o tipo da droga.

Dentre os efeitos psicológicos podem ser citados comportamento agressivo, aumento ou diminuição da libido, alterações repentinas do humor, dependência, psicose, episódios maníacos depressivos, tentativa de suicídio, depressão quando da retirada, ansiedade, euforia e irritabilidade (LISE et al, 1999).

Conclusão

A busca pelo corpo perfeito é um desejo cultuado tanto pelos homens quanto pelas mulheres, e isso se dá através da influência causada pela mídia e cobrança da sociedade em geral. Isto faz com que indivíduos busquem alternativas muitas vezes prejudiciais à saúde, levando-os a usar esteróides anabolizantes de forma indiscriminada a fim de obter um corpo escultural. O comércio livre (mercado negro, farmácias de manipulação, farmácias veterinárias), e à obtenção sem prescrição médica ou com prescrição médica indevida facilitam o acesso a estas drogas, o que torna a população mais vulnerável às tentações da realização deste desejo. Entretanto a principal razão de desencorajar um indivíduo a usar esteróides anabolizantes, são os efeitos colaterais causados de ordens físicas e psíquicas.

A informação, educação e divulgação das implicações do uso indiscriminado e não-terapêutico destas drogas são uma excelente alternativa para a conscientização dos indivíduos a não procurarem por estas substâncias, tendo em vista que para alcançar o tão sonhado corpo perfeito, é necessário um conjunto de fatores que reúnem a genética, associada ao treinamento e alimentação adequada. Desta forma o indivíduo preserva a integridade física e metal.





Referências
ASSUNÇÃO, S. S. M.; Dismorfia Muscular – Ver. Brás. Psiquiatr. V.24 supl.3 São Paulo dez. 2002.
BACURAU, R. F.; NAVARRO, F.; UCHIDA, M.C. & ROSA, L. F. B. P. C Hipertrofia Hiperplasia – Fisiologia, nutrição e Treinamento do crescimento muscular. São Paulo: Phorte Editora Ltda, 2001.
IRIART, J. A. B; ANDRADE, T. M. Musculação, uso de esteróides anabolizantes e percepção de risco entre os jovens fisioculturistas de um bairro popular de Salvador, Bahia, Brasil – Cad. Saúde Pública vol. 18 no. 5 Rio de Janeiro Set. /Out. 2002.
LAMB, D. R.; O uso abusivo de esteróides anabolizantes no esporte- Gatorade Sports Science Institute.
LISE, M. L. Z; GAMA E SILVA, T. S; FERIGOLO, M; BARROS, H. M. T. O abuso de esteróides anabólico-androgênico em atletismo. Rev. Ass. Med. Brasil., 45(4):364-370, 1999.
MARQUES, M. A. S; PEREIRA, H. M. G; NETO, F. R. A. Controle de dopagem de anabolizantes: o perfil esteroidal e suas regulações. Ver. Bras. Med. Esporte v.9 n.1 Niterói jan./fev. 2003.
PELUSO, M. A. M; ASSUNÇÃO, S. S. M; ARAÚJO, L. A. S. B & ANDRADE, L. H. G. Alterações psiquiátricas associadas ao uso de anabolizantes.
SANTOS, A. M. O mundo anabólico: análise do uso de esteróides anabólicos no esportes. 2. ed. Ver. E ampl. – Barueri, SP : Manole, 2007.
SILVA, P. R. P,; DANIELSKI, R.; CZEPIELEWSKI, M. A. Esteróides anabolizantes no esporte – Rev. Brás. Psiquiatr. V.24 supl.3 – São Paulo – dez. 2002.
TRINDADE, R. S.; Estética Corporal no Alto Rendimento Esportivo – Disponível em: http://www.cbcm.com.br/modulos/artigos/descricao.php?cod=28. Acesso: 22/mai/08.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A dieta para enxergar bem


Mais do que agradar a vista, alguns alimentos são capazes de protegê-la contra os desgastes do tempo. Três novíssimos estudos revelam por que priorizar certos nutrientes no dia a dia afasta doenças sérias e prolonga a vida útil da visão



Minutos antes de desfrutar de um banquete, os olhos disputam com o nariz a condição de primeiro sentido a aguçar o apetite. Abertas, as janelas da alma captam as cores e os detalhes da entrada à sobremesa. Mas, se elas começam a emperrar, o prato vistoso perde uma pitada da graça. Para que, no depender da visão, as refeições continuem atraentes, saiba que existem certos alimentos com o poder de preservar os olhos por anos e anos. Recém-saído do forno, um estudo da Universidade de Melbourne, na Austrália, comprova que o consumo regular de peixes, redutos de ômega-3, diminui o risco de degeneração macular relacionada à idade, problema que pode levar à cegueira.

“Altas doses dessa gordura são encontradas na retina e precisam ser constantemente renovadas. O déficit dela, portanto, pode favorecer o aparecimento da doença”, justifica Elaine Chong, uma das autoras do trabalho, que avaliou mais de 6 mil pessoas de 58 a 69 anos. Outra pesquisa em solo australiano, essa da Universidade de Sydney, endossa a conclusão dos seus conterrâneos. Após investigar quase 2 500 voluntários num período de dez anos, os cientistas notaram que comer pescados no mínimo uma vez por semana já reduz a probabilidade de ver a mácula sofrer.

“O ômega-3 é importante para preservar os pequenos vasos que irrigam os olhos e ainda protege a retina contra inflamações”, explica a epidemiologista Vicki Flood, que participou da pesquisa. De acordo com ela, não são apenas os peixes que merecem entrar no seu prato: as nozes também são guardiãs da visão. Dois punhados por semana aumentariam o escudo contra o declínio da mácula. O azeite de oliva é outro exemplo. Assim como as oleaginosas, seu benefício vem da mistura de gorduras saudáveis e substâncias antioxidantes — aquelas capazes de atenuar os efeitos do tempo no olhar.

As gorduras benéficas selecionadas para o cardápio ainda mantêm um elo com a lubrificação do globo ocular. E quem sobressai de novo é o ômega-3, consagrado no combate ao olho seco. “Esse problema é causado por uma mudança na composição da lágrima que umidifica a córnea. Ela então passa a evaporar mais depressa”, explica o oftalmologista Maurício Barros, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Como os lipídios são ingredientes desse líquido, há evidências de que o ômega dos peixes e da linhaça contribua para restabelecer a receita ideal.

Visão sem ferrugem

Os radicais livres, moléculas que, em excesso, danificam as células do corpo, não poupam os olhos — com os anos, eles sentem os efeitos do que os cientistas chamam de estresse oxidativo. “No fundo, a degeneração macular é resultado do acúmulo de oxidação numa porção da retina”, exemplifica Nilva de Moraes. Embora o organismo saiba se defender na maioria das vezes, a alimentação pesa muito no desfecho do embate.

Daí por que investir nos antioxidantes, como as vitaminas C das frutas cítricas e E das nozes e castanhas, faz diferença para evitar que a visão enferruje. Mas há nutrientes com essa propriedade que prestam um serviço ocular exclusivo, afastando, entre outros males, a catarata (veja o quadro abaixo). É o caso da luteína, presente nas folhas verde-escuras, e da zeaxantina, encontrada no milho. A mesma equipe da Universidade de Sydney que analisou o papel das gorduras na saúde visual já havia percebido que essa dupla protege contra a degeneração macular. “A luteína e a zeaxantina se depositam seletivamente na retina, onde se concentra a maior parte dos receptores de luz”, explica a engenheira de alimentos Giovanna Pisanelli de Oliveira, da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. “Ali, elas também atuam como filtros contra a luz azul, uma radiação que lesa os nervos ópticos.”

Um capítulo à parte é a vitamina A. Na cenoura, na abóbora e no tomate deparamos com o betacaroteno, substância que é transformada na vitamina dentro do corpo. Sua versão prontinha é oferecida pelo leite, pelos ovos e pelo bife de fígado. “Essa vitamina ajuda a manter a lubrificação dos olhos e é componente de um pigmento que nos permite enxergar com pouca luz ou no escuro”, conta a nutricionista Cláudia Saunders, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Daí que a carência do nutriente causa cegueira noturna principalmente entre crianças e, em casos graves, leva à perda total da visão.

Nem tudo o que alegra os olhos lhes faz bem. As guloseimas, por exemplo, não pedem parcimônia por acaso. Quem sempre se farta de muffins como os da foto ao lado, biscoitos, salgadinhos e companhia também comete um atentado ocular. E o vilão aqui é nada mais nada menos que a gordura trans. O trabalho da Universidade de Melbourne prova que, ao longo dos anos, ela multiplica a probabilidade de um indivíduo sofrer de degeneração macular. “A trans está ligada a níveis desregulados de gordura no sangue e a processos inflamatórios, condições que aumentam o risco da doença”, afirma a professora Elaine Chong. “A degeneração da mácula é marcada pelo aparecimento de vasos sanguíneos anormais e por uma constante inflamação local”, esclarece o médico Walter Takahashi, que é chefe do setor de retina do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Doce veneno

Os cientistas também desconfiam há um bom tempo que, em demasia, o açúcar é outro fator prejudicial nessa história. Ora, são os diabéticos que não controlam os níveis de glicose no sangue os principais alvos de lesões que, no transcorrer de décadas, fazem a retina sucumbir. “As células desse tecido não têm um mecanismo protetor contra altas cargas de açúcar na circulação”, explica a oftalmologista Jacqueline de Faria, da Unicamp. “Nessa região, o excesso de glicose propicia a formação de radicais livres e um processo inflamatório que levam a estrutura celular ao colapso”, completa.

Será que apenas os diabéticos deveriam maneirar nos doces e nas massas para o bem dos olhos? É provável que não. Um novo estudo da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, atesta que dar preferência a alimentos de baixo índice glicêmico — aqueles que não disparam repentinamente as taxas de açúcar no sangue — é uma forma de resguardar a visão. A pesquisa foi realizada com mais de 4 mil pessoas com alterações na mácula. A conclusão: manter os níveis de glicose seguros por meio da alimentação retarda o avanço da doença. “Falta decifrar agora detalhes dos processos que explicariam essa proteção”, comenta Jacqueline.

Enquanto aguardamos essa resposta, os cientistas aconselham priorizar frutas, verduras e cereais. Não bastasse diminuir o tempo de absorção do açúcar — e seus possíveis danos — esses alimentos são povoados dos benditos antioxidantes. Contemplálos em sua rotina (e não apenas com o olhar) significa enxergar mais longe, sem problemas à vista.

Fonte: Revista Saúde - julho/09