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domingo, 9 de agosto de 2009

Automedicação é um risco à saúde



A cena é comum: na farmácia, o cliente chega, pega a cesta de compras e, como se estivesse num mercado, escolhe diversas cartelas de remédios na intenção de resolver problemas de saúde que surgiram. A questão é que nem sempre os medicamentos foram receitados pelo médico, mas indicados pelo balconista, por colegas de trabalho ou pela propaganda na TV. No entanto, o resultado da automedicação pode ser perigoso.

Dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) da Fiocruz apontam que há, por ano, 34 mil casos de intoxicação por uso indevido de remédios, com média de 91 mortes. "O problema não está na medicação em si, mas na prática abusiva e combinações perigosas. Fora o perigo de mascarar sintomas e agravar doenças", diz Anthony Wong, toxicologista no Hospital das Clínicas e diretor do Centro de Assistência Toxicológica, em São Paulo.

A automedicação leva a riscos que vão desde reações alérgicas, diarreia, tonturas e enjoos, até anular eficácia de medicamentos ou potencializar efeitos colaterais. Outro risco é dependência física e psicológica, como nos casos de psicotrópicos (antidepressivos, ansiolíticos) que, tomados acima da dose, afetam sistema nervoso.

Remédios vendidos sem necessidade de receita - ácido acetil salicílico, paracetamol, dipirona e fitoterápicos - parecem inofensivos. Porém, a farmacêutica Fernanda Chalabi, da Office Lab, avisa que o uso indevido causa danos, principalmente no fígado, se tomados em excesso. "Já a aspirina tem ação anticoagulante e, se ingerida inadequadamente, pode acarretar úlcera."

O endocrinologista Tércio Rocha ainda alerta quanto aos remédios para emagrecer - anfetaminas, laxantes e diuréticos. "Anfetaminas oferecem mais risco. Só fazem perder fome e capacidade de o organismo perder gordura. Diuréticos e laxantes só estimulam eliminação de líquidos. Aí cria-se uma falsa ideia de emagrecimento." E até filtro solar deve ter aval médico. "A eficácia varia de pessoa para pessoa", destaca o dermatologista Murilo Drummond, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Colírio errado compromete visão e saúde
Estudo do oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, com 2,7 mil pacientes mostra que 67% já fizeram uso incorreto de colírio. Vasoconstritores, muito usados para clarear vermelhidões, predispõem a catarata precoce, alterações cardíacas e aumento da pressão arterial. E o uso contínuo de antiinflamatórios, associados a corticoide e antibiótico, eleva o risco de catarata e glaucoma.

Dúvidas

O que fazer em caso de reação alérgica a algum medicamento?
Procurar imediatamente um posto de saúde. Não tome nenhum remédio em casa por conta própria.

Como é possível fazer o diagnóstico?
Observe se surgiram quaisquer sinais de manchas no corpo, placas, coceiras e vermelhidões, bolhas isoladas ou juntas. O ideal é fazer um diagnóstico precoce para verificar as possíveis reações alérgicas.

O que fazer em caso confirmado de alergia?
Suspender imediatamente o uso do medicamento.

Se for confirmada a alergia a algum remédio, há tratamento?
Sim. Geralmente é com uso de corticoides e outros medicamentos que diminuem a reação do organismo.

Medicamentos fitoterápicos (naturais) também causam riscos?
Todos os medicamentos, sem exceção, têm efeitos colaterais e podem provocar riscos à saúde.

Misturas perigosas

Anticoagulante (warfarina) + remédio para controle do colesterol (sinvastatina)
A warfarina aumenta chances de efeitos colaterais da sinvastina, como dor muscular, e a combinação pode piorar problemas como úlceras e outros tipos de sangramento.

Antibióticos + antiácidos
Antiácido diminui até em 70% a absorção do antibiótico.
Antibióticos + anticoncepcionais
O antibiótico reduz concentrações hormonais, diminuindo eficácia da pílula.

Ansiolíticos + sedativos + álcool
Mistura aumenta o efeito depressor do sistema nervoso, podendo causar depressão respiratória, hipotemia e falência cardiovascular.

Analgésicos + ansiolíticos
O ansiolítico fortalece efeitos de analgésicos, podendo causar baixa no ritmo cardíaco.

Niacina (vitamina B3) + atorvastatina ou sinvastatina (ambos para controle do colesterol)
A mistura aumenta a chance de dores musculares e morte de células do tecido muscular.

Lisinopril (para controle de hipertensão) + suplementos de potássio
O uso combinado aumenta o risco de níveis elevados de potássio no sangue, podendo provocar ataques cardíacos e até a morte.

Corticoides + antiinflamatórios
Podem causar dores de estômago e maior risco de úlceras.

Antidepressivos + inibidores de apetite
Antidepressivos potencializam efeitos colaterais de remédios para emagrecer, podendo causar irritabilidade e psicoses.

Fonte: Vida e Saúde - Terra - 09.08.09

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Exercício intenso diário afasta risco de câncer


Estudo finlandês diz que maior consumo de oxigênio reduz chances de morte pela doença


O aumento do consumo de oxigênio, associado a atividades físicas moderadas a intensas, parece reduzir o risco de câncer. É o que relata um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine.


A pesquisa finlandesa acompanhou 2 560 homens entre 42 e 61 anos, cujas rotinas de malhação foram supervisionada por um ano. Nenhum dos participantes do estudo tinha histórico de câncer na família e todos eles foram reavaliados por 16 anos. Nesse período, 181 morreram de câncer. Aqueles que haviam se engajado em atividades físicas intensas a moderadas por 30 minutos diários tiveram 50% menos chance de desenvolver a doença, quando comparados a outros homens.


Os pesquisadores descobriram que um aumento de 1,2 unidades metabólicas (consumo de oxigênio) foi relacionado com a redução do risco de morte por câncer, especialmente o gastrointestinal e nos pulmões.


Fonte: Revista Sport Life - 31.07.09

sábado, 1 de agosto de 2009

Os prejuízos e perigos da poluição para os praticantes de atividades físicas ao ar livre


Engana-se quem pensa que praticar atividades físicas ao ar livre é necessariamente mais benéfico do que malhar no espaço restrito de uma academia. Segundo o dr. Ubiratan de Paula Santos, presidente da Comissão de Doenças Ambientais e Ocupacionais da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), como tudo na vida, essa é uma questão que deve ser avaliada por seus múltiplos aspectos. Em academias bem climatizadas, por exemplo, não há enormes diferenças entre as temperaturas corporal, mesmo nos picos de calor, e a do ambiente. Isso já não ocorre nos parques, territórios em que os termômetros obedecem somente às leis da natureza.

É relevante considerar que a poluição exerce efeito ainda maior durante a pratica de exercícios físicos. Nesta hora, o corpo naturalmente necessita de mais oxigênio e, para isso, é inspiramos maior volume de ar em busca de oxigênio. Dessa forma também aumentam a quantidade de poluentes inalados e seus efeitos maléficos, adverte o dr. José Eduardo Delfini Cançado, presidente da SPPT.

O risco existe tanto em ambientes abertos como fechados. Nos fechados, a vantagem é poder controlar a temperatura e, com isto, facilitar a dissipação de calor produzido pelo corpo. Por outro lado, sistemas de ar-condicionado podem reduzir a umidade do ar e, no caso de academias localizadas em vias de grande tráfego, há inclusive o risco de ter o ar interno ainda mais poluído que o externo.

São poucos os estudos sobre os prejuízos dos gases poluentes às pessoas saudáveis. Porém, os especialistas não têm dúvidas quanto aos principais grupos de risco.

“Portadores de doenças crônicas e algumas de origem metabólicas sofrem mais, portanto, devem evitar os dias de altas temperaturas e a proximidade de até 200 metros de vias mais movimentadas. A poluição, além de provocar crises, diminui a performance”, pondera o dr. Ubiratan.

Há países, como o Canadá, em que o indicado é consultar as taxas de poluição do ar antes da prática de exercícios físicos ao ar livre.

No que diz respeito à excessiva quantidade de poluentes e à concentração de ozônio nos parques de grandes metrópoles como São Paulo, o dr. Ubiratan informa que a situação é mais grave nos horários de maior congestionamento.

“Há aumento dos gases e material particulado nos horários de pico, que chegam a ficar de 4 a 5 vezes maiores. O ozônio aumenta nos horários de maior presença da luz solar, entre 10h e 16h.”
De maneira geral, o melhores horários para a prática de exercícios ao ar livre são antes das 7h e após às 20h, horários com menores tráfego de veículos e radiação solar.

“Portadores de doenças respiratórias, cardiovasculares e metabólicas crônicas também podem buscar informações sobre a qualidade do ar nos órgãos que monitoram o ar ambiental, como a Cetesb”.